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Opinião
Segunda - 07 de Junho de 2010 às 13:37
Por: Éder Moraes

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Mato Grosso convive com 42 povos indígenas, um mosaico cultural sem igual. Cosmologicamente falando, são 42 mundos, 42 línguas, 42 formas de se viver em harmonia. São povos como os Caiapós, Parecis, Bakairi, Xavantes, Yalapiti, entre outros. Com efeito, somos o único Estado do país com essa diversidade e precisamos aprender a conviver com isso, precisamos estar mais próximos desses povos da floresta e dividir conhecimentos diante de tanta diversidade. Foi daí que nasceu a Federação dos Povos e Organizações Indígenas no Estado de Mato Grosso, num momento de autoafirmação do próprio Estado. São cerca de 50 mil indígenas, sendo 35 mil aldeados, buscando também sua auto-determinação (Art. 4º, III, CF). Ao que me consta, é a primeira Federação nesses moldes instituída no Brasil, se tornado um marco histórico no país.

Localizada numa casa doada pelo Estado e devidamente mobiliada na região do Coxipó, em Cuiabá, a Casa Civil coordenou, por meio da Superintendência de Assuntos Indígenas, a implantação do local, com o objetivo de acabar com a perambulação indigenista, o que efetivamente humaniza e profissionaliza o atendimento aos interesses dos povos indígenas.

O Cacique Megaron Txucarramãe reconhece que a Federação foi criada sob a orientação e incentivo do ex-governador Blairo Maggi, que durante toda a sua gestão valorizou essa relação, reconquistando a confiança e dando início ao resgate do viés humanista deixado por Marechal Rondon, cultivando a relação harmônica entre os brancos e os índios que habitam nosso Estado.

O atual governador, Silval Barbosa, não menos preocupado com essas questões, concluiu a Federação e efetivamente a entregou aos povos indígenas, mostrando que o Estado tem interesse em organizar e fortalecer as demandas oriundas do seio desta nação, que agora tem um espaço verdadeiramente seu. Os povos indígenas estão ganhando representatividade institucional, vez que podem, em conjunto, demandar ao Estado suas reivindicações e anseios.

Mato Grosso precisa resgatar esse viés humanista deixado por Rondon, Marechal de Guerra que levava a paz, homem do povo, meio índio e meio branco, mistura perfeita do mato-grossense. É a nossa história, o fio da meada que perdemos diante da onda desenvolvimentista, também necessária. O desenvolvimento sustentável é tema atual e pertinente. Bate às nossas portas como solução pacificadora. O mundo inteiro procura essa fórmula, inclusive, nós mesmos. Contudo, esquecemos que já a possuímos, basta somente olharmos para o modo de vida dos nossos indígenas, está ali o segredo que precisamos enxergar, bem diante dos nossos olhos. Precisamos entender o índio além do dia 19 de abril. A nossa omissão abre brecha para Organizações Não Governamentais (ONGs) e para o terrorismo socioambiental que tanto nos deprecia. Precisamos retomar o nosso espaço, a nossa herança. É esse o nosso legado.

Por fim, fica o registro e agradecimento as etnias que se apresentaram em festa impar na inauguração da Federação, em especial aos Caciques Megaron Txucarramãe, Cacique TauKane Bakairi, Cacique Piracumã Yalapiti, Parlamentar Indígena Jeremias, Tenente-Coronel Mariano, Superintendente de Assuntos Indígenas, e à Dra Maria Helena Parecis, do Museu do Índio, de Brasília.



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