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Opinião
Domingo - 06 de Junho de 2010 às 20:29
Por: Lourembergue Alves

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Não se tem a reforma política. Nem mais a esperança de que um dia ela possa ser feita no país. Apesar disso, já se adotou algumas medidas interessantes com vistas ao maior disciplinamento das disputas eleitorais. Neste ano, além dos documentos costumeiramente exigidos, tal como o requerimento de registro das candidaturas, os pretendentes ao cargo de governador e ao de presidente deverão apresentar à Justiça Eleitoral uma via digitalizada e outra impressa de seus planos de governo. 

A adoção dessa medida não mudará o roteiro das disputas. Tampouco decidirá, por exemplo, as eleições no Estado de Mato Grosso. Muito menos nas demais unidades da federação. Tampouco no país. Até porque o resultado favorável das urnas depende de uma série de fatores. Mas, sem dúvida alguma, o registro dos ditos planos, e, a parir daí, suas divulgações durante toda a campanha, desde a segunda semana do mês de julho, permitirá ao eleitorado escolher o melhor entre as plataformas apresentadas. 

Plano ou plataforma se diferencia bastante do simples elencar promessas. Principalmente pela sua exigência, a começar pelo cuidado e tempo para concatenar as idéias, ou o que se tem para realizar em benefício da população mato-grossense. 

Nesse sentido, os candidatos fazem planos com o fim de encontrarem respostas ou soluções para os problemas existentes, que não são poucos. Para obterem tais respostas, o socialista Mauro Mendes, o peemedebista Silval Barbosa e o peessedebista Wilson Santos carecem de estratégia. Algo ainda não percebido em suas respectivas bagagens. Razão pela qual eles se mostram desorganizados, desestruturados e desacompanhados de qualquer ponto de referência, mesmo perambulando por seus redutos eleitorais.

Com isso, notam-se, então, suas dificuldades na elaboração do plano exigido pela nova redação do artigo 11, § 1º., IX da Lei 9.504/97. Estão perdidos. Sobretudo quando se sabe que o plano de governo só existe no instante em que os objetivos estão bem definidos.

Aliás, objetivos fazem parte da vida cotidiana. Não seria diferente na das agremiações partidárias. Os partidos têm como maior finalidade a conquista do poder de mando. Entende-se, agora, porque a política é uma atividade que se relaciona com a conquista, o exercício e a prática do poder. Por isso, os partidos são políticos porque têm como estimulo, e os militantes e filiados como motivação, a conquista do poder. Explica-se, portanto, as amarrações, os casamentos e os acordos entre as siglas. Quase nunca, porém, os casamentos e os acordos são motivados ideologicamente, ou visam o bem comum, isto é, o interesse da coletividade.

Um complicador para a feitura do plano exigido. Talvez seja, por isso, pensaria o eleitor, que o candidato vitorioso jamais realiza o que propôs durante a campanha. E não será diferente a partir de 2011. Pois a lei que obriga os candidatos a apresentarem seus respectivos planos, nada diz a respeito da sanção para o caso do candidato não cumprir suas propostas quando no exercício do mandato.

A situação fica mais grave ainda porque os políticos-candidatos passam toda a campanha a fazer promessas. Promessas nada têm a ver com propostas. Prometer não é programar-se, nem planejar-se. A ausência de planejamento, no entanto, empobrece qualquer administração. Mais ainda a pública. Por isso, é importante que o eleitorado analise com cuidado os chamados planos de governo. Tudo para “não comprar gato por lebre”.    


Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: loua.lves@uol.com.br.


Autor

Lourembergue Alves

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e articulista

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