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Opinião
Sábado - 05 de Junho de 2010 às 03:38
Por: Sérgio Ricardo

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Na sua sexta edição, o "Abrace o rio Cuiabá", que será realizado amanhã pela Assembleia Legislativa, pode ser considerado o maior movimento social em defesa do meio ambiente de Mato Grosso. Este ano terá a presença de estudantes e professores de mais de 130 escolas públicas e particulares além de um aumento significativo de representantes de ONGs e colônias de pescadores. Só no ano passado o evento reuniu 15 mil pessoas, entre estudantes, profissionais da educação, pescadores, ribeirinhos e moradores de Cuiabá e Várzea Grande. O Abrace o rio Cuiabá procura alertar os administradores públicos e a sociedade quanto as consequências graves que já ocorrem por conta da destruição do rio, tais como doenças, aumento da temperatura local e extinção de espécies da fauna e da flora.

Temos mostrado a toda a sociedade que o rio está morrendo aos poucos, sufocado pela ocupação desordenada em suas margens e destruído pelas atividades humanas como dragagem, mineração, agricultura, geração de energia e pela falta de tratamento de esgoto. A falta de destinação de milhares de toneladas de lixo produzidas por Cuiabá e Várzea Grande surgem a vista de todos, tanto nas águas do rio Cuiabá como também no Pantanal. Desde 2005 que organizamos equipes em parceria com os pescadores e pelo menos duas vezes por ano fazemos a coleta de toneladas de lixo nas margens do rio Cuiabá e nas baías do Pantanal. Rio Cuiabá limpo, significa manter o Pantanal vivo!

Este ano tivemos a triste notícia de que o tratamento do esgoto reduziu 15% na Capital segundo dados publicados pelo Instituto Trata Brasil. No ano de 2007, 29% eram tratados e em 2008, caiu para 14%. É lamentável que aconteça isso num estado rico como o nosso. Estamos sendo observados por causa da Copa do Mundo de 2014 e o que temos para mostrar? Três séculos sem nenhum investimento em saneamento. O resultado da pesquisa foi divulgado no início do mês de maio em Cuiabá e mostra que dos 2,7 bilhões de litros de esgoto produzidos nos domicílios da Capital, apenas 387,2 milhões de litros têm destinação correta. O restante, 2,3 bilhões, é despejado diretamente nos rios Cuiabá e Coxipó e nos 24 córregos da cidade.

Com uma extensão de 980 km, o rio Cuiabá atende atualmente 95% da demanda de água potável consumida pelos cuiabanos, além de comércios e indústrias. O rio serve de captação para as Estações de Tratamento de Água (ETAs) I e II, Ribeirão do Lipa, Sucuri, Porto, Parque Cuiabá e Coophema, unidades mantidas pela Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap).Os principais afluentes do rio Cuiabá são o ribeirão Pari, os rios Manso, São Lourenço e Coxipó: este último cortando o município de Cuiabá e tem sua cabeceira no Parque Nacional de Chapada dos Guimarães.

Para o próximo ano, estaremos estendendo o evento a outros rios de Mato Grosso. Vamos abraçar o rio Paraguai em Cáceres, o Araguaia em Barra do Garças e o rio Vermelho em Rondonópolis. Este é papel também da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, promovendo e incentivando a educação ambiental nas escolas públicas e particulares e conscientizando a população quanto a importância de proteger os recursos naturais.

Conhecido como o "Estado das Águas", Mato Grosso é banhado por três das principais bacias hidrográficas brasileiras - Amazônica, do Paraguai e Araguaia-Tocantins. Com cerca de 900 mil km2 o estado também acolhe grande parte do ecossistema pantanal, 40% do Cerrado, além de ter quase a totalidade de seus municípios na Amazônia Legal.


Sérgio Ricardo
é deputado estadual e presidente da Comissão de Meio Ambiente na Assembléia Legislativa de Mato Grosso.



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