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Opinião
Sábado - 15 de Maio de 2010 às 06:19
Por: Paulo Zaviasky

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Algo estranho acontece em Cuiabá que mais parece um queijo suíço de tantos buracos. Antes que pensem que falo contra o meu amigo Chico Galindo prefeito da capital e que foi injustamente criticado por ter confundido a nossa tradicional Festa do Senhor Divino com a Festa de S. Benedito, afirmo que falo de outros buracos secretos.

Explico também a ressalva da Festa, a bem da verdade. Um leitor me cobrou um puxão de orelhas no prefeito daqui sobre essa confusão que ele teria cometido entre duas das maiores festas de nossa tradição e cultura religiosas e sagradas de nosso povo cuiabano, como também acontece no Brasil inteiro, cada uma com suas formas, modo e costume.

O prefeito Chico Galindo não errou. Tenho a gravação completa de sua fala. Disse apenas que acabara de sair de outra Missa, também sagrada, ali noutra Igreja de S. Benedito. Confirmou-me pessoalmente a própria Imperatriz deste ano, Janice Latorraca Ponce que estava junto do prefeito nesse momento da entrevista.

O leitor, portanto, entendeu mal a notícia ou ela foi editada suprimindo partes da fala do prefeito na santa pressa plausível e humana de uma gurizada nova e boa que está surgindo bonito no campo televisivo daqui.

O prefeito Chico Galindo jamais confundiria a Festa do Senhor Divino com a também majestade de S. Benedito. Nós sabemos o porquê.

Mas, o prefeito de Cuiabá pode receber de presente um problema sério que acontece nesta capital. Proliferação de poços artesianos de modo interessante. Idêntico às caçambas assassinas que infestam as ruas daqui que são colocadas de quina, quase no meio das ruas e sem as adequações técnicas legais.

Essas gigantescas peças de toneladas de ferro, sem manutenção, vergonhas enferrujadas que sujam e enfeiam a cidade, estão festejando o caos no trânsito e proporcionando acidentes sem precedentes.

Solução: manutenção e pintura de acordo com o que a cidade merece e a colocação adequada sob a ótica do controle municipal que impede a existência de duas ou, no caso atual, até oito caçambas enfileiradas.

A permissão é de uma caçamba para cada quadra e adequadamente instalada. Hoje, duas caçambas de um lado e outras duas de outro, afunilam o trânsito e à noite está dando nisso tudo que a dor e o choro nem adiantam mais e que provam que tem gente que ganha e não trabalha na assessoria do Chico.

Quanto aos poços artesianos, mais da metade é feita no olhômetro e são fechados em seguida, com os prejuízos dos sonhadores. Muitos prédios perfuram tais poços artesianos de modo praticamente aleatório e em menos de seis meses, todos os canos do prédio inteiro são entupidos para sempre por massa calcária que os técnicos sabem o que é.

O motivo é o atual preço da água, afirmam. Nem sabem que a Sanecap é um dos órgãos mais atuantes, sérios, fiscalizados e competentes que nos presenteia com uma água de grande valor, límpida, tratada e rigorosamente controlada.

Sei da luta gigantesca que a Sanecap tem feito para impedir desvios de condutas e/ou aventuras técnicas num dos setores mais nevrálgicos, com vulnerabilidade blindada e de maior respeitabilidade com a água que todos bebemos. As falhas políticas passam longe daquele setor. Graças a Deus.

Setores da NASA, porém, descobriram que o Aqüífero Guarani, um dos maiores reservatórios de água doce do mundo e que fica aqui debaixo de nossos pés, tem acima dele uma estrutura impressionante de milhares de “palitos de fósforo”, como eles apelidam os poços artesianos quase sem controle.

Qualquer um em seu quintal pode abrir – e abre – um poço artesiano por aqui. Depois fecha sem graça pelo que disse acima. Fica só a estrutura inteira fazendo com que Cuiabá seja a cidade apelidada pela NASA de Plataforma Continental de concreto, mais segura do mundo, pelas vigas de tantos poços artesianos que vivem abrindo por aqui. E, fechando para sempre.


* PAULO ZAVIASKY é jornalista - verpz@terra.com.br



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