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Opinião
Sábado - 24 de Abril de 2010 às 07:12
Por: Mario Eugenio Saturno

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Edwin Powell Hubble foi um astrônomo espetacular, no telescópio instalado no Monte Wilson, ele descobriu que as nebulosas eram galáxias e que se afastavam umas das outras, primeira evidência do Big Bang. Quando a NASA construiu o seu primeiro telescópio espacial, um fantástico equipamento deveria homenagear alguém à altura. Nascia o Telescópio Espacial Hubble para a luz visível e infravermelha. Foi lançado em 24 de abril de 1990, pelo Ônibus espacial Discovery. Neste mês comemoramos vinte anos de gloriosa existência.

O primeiro o astrônomo a defender a idéia foi Lyman Spitzer, em 1946, quando apresentou grandes vantagens sobre dois problemas: primeiro, no vácuo não há a turbulência da atmosfera que provoca a cintilação das estrelas e que deforma a visão; segundo, a luz infravermelha e ultravioleta são absorvidas pela atmosfera, isso não ocorre no vácuo. Em 1962, a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos da América reivindica um telescópio espacial e, em 1965, Spitzer torna-se o diretor do projeto. Em 1966, o primeiro Observatório Astronômico Orbital da NASA falha, mas o segundo, observou a luz ultravioleta das estrelas e galáxias de 1968 a 1972.

Esse sucesso impeliu a NASA a projetor um grande telescópio refletor espacial, com um espelho de 3 metros de diâmetro, planejado para 1979. Porém, depois de muitos problemas orçamentários, reduziram o diâmetro do espelho para 2,4m. E uma parceria com a Agência Espacial Européia, ESA, esta forneceu uns instrumentos e as células solares que fornecem energia, ficando com 15% dos custos, e do tempo de observação para astrônomos europeus, claro!

A construção do telescópio iniciou-se em 1978. Os espelhos deveriam ser polidos com uma precisão de 30 nanômetros (30 bilionésimos de metro). O polimento aconteceu de 1979 até maio de 1981. Uma série de problemas provocou o adiamento do lançamento. Porém, em 1986, a Chalenger explodiu. Após longa análise e reformulação dos foguetes, finalmente o Hubble foi lançado. Infelizmente, as primeiras imagens transmitidas estavam fora de foco. E o custo estava estimado em dois bilhões e meio de dólares. Finalmente, em dezembro de 1993, subiu a Endeavour com a missão de corrigir a miopia do Hubble, uns "óculos" de espelhos e fazer algumas melhorias. Com isso, os cientistas foram brindados com imagens incríveis do nosso Universo.

Em maio de 2009, o telescópio recebeu os últimos reparos previstos e ainda recebeu alguns equipamentos novos. A NASA utilizará os últimos suspiros do Hubble para investigar corpos na região de Plutão, pesquisar o nascimento de planetas em outros sistemas solares e a composição química desses planetas, medir a força que acelera a expansão do cosmo, e ver as galáxias mais distantes, além dos 3 bilhões de anos-luz. Estima-se que já foram investidos dez bilhões de dólares, certamente um dinheiro bem gasto.


Mario Eugenio Saturno, de Bariloche - Argentina, é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor universitário e congregado mariano. (mariosaturno@uol.com.br)



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