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Opinião
Terça - 20 de Abril de 2010 às 05:05
Por: Lourembergue Alves

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Anteontem, em entrevista concedida a um jornal da Capital, o socialista falou sobre sua candidatura. Bem mais sobre o jogo adotado pelos adversários que, necessariamente, a respeito de suas propostas. Como se essas não tivessem importância alguma, e, pelo jeito, não tem mesmo, pois o empresário sequer mencionou qualquer uma delas. Opção escolhida não por ocaso, mas cuidadosamente pensada como estratégia, pois se colocar na condição de “vítima” pode lhe render dezenas de votos.

Assim, nada se lê de interessante na longa entrevista. Uma página inteira, onde se encontram frases repetidas, ditas pela primeira vez quando o empresário se apresentou como candidato à prefeitura cuiabana. De lá para cá, tem-se a impressão que coisa alguma mudou, ainda que a disputa seja agora pelo governo do Estado. Ele não perdeu, inclusive, o chavão de querer “discutir política pensando no futuro”, não colocando a si próprio “entre dois extremos: oposição e situação”. 

Tem-se, aqui, uma frase de efeito, não resta dúvida; capaz, talvez por isso, de atrair, para seu autor, dividendos eleitorais preciosos. Porém, dúbia. Nada diz de prático, além de escamotear o posicionamento real do representante do PSB. Estratégia utilizada para posar-se de diferente, cuja esteira alicerça “o de alguém que”, segundo suas próprias palavras, “se encontra em sintonia com o moderno, o inovador”. 

“Inovar”, “ser modernoso”, sem, contudo, trazer para a mesa do debate os pontos que, no seu conceito, são deficientes na administração do seu padrinho político. Como não disse os tais pontos. Talvez nem saiba quais são eles. O que lhe garante um lugar reservado “sobre o muro”, embora não sendo “tucano”, nem tenha querido “tucanar”, a despeito do elogio que fez a gestão do peessedebista Dante de Oliveira. Situação, de qualquer modo, privilegiada, pois lhe subtrai a obrigação de dizer o que pensa trazer para solucionar os inúmeros problemas que afligem a unidade da federação e a sua gente. 

Percebe-se, então, a fragilidade de suas palavras. Vagas tal como parece ser o próprio entendimento do socialista a respeito de um provável desenvolvimento para Mato Grosso.

Apesar de se reconhecer como suas, e ver avanços em sua trajetória, de 2008 para cá, na dita entrevista. Isso fica claro quando ele diz: “O desafio de crescer, preservar e fizer com que toda essa riqueza seja transformada em desenvolvimento. O conceito de crescer é diferente de desenvolver. O desenvolvimento requer ampliação das políticas sociais e melhorias da qualidade de vida”.
Está correto. No entanto, pecou por não dizer como fazer para se chegar a esse estágio. 

O entrar em uma disputa ao governo estadual exige muito mais que a competência e a habilidade de dizer frases bonitas. A falta dessa outra exigência é que leva o ataque pessoal a um ou aos demais concorrentes, em um processo de desqualificação deles como interlocutor. Faz parte desse repertório o se colocar como “vitima”, sob a cantilena de que os adversários têm “dedicado grande parte da sua energia para evitar” a candidatura do socialista. 

Isso é jogar com as palavras, à moda gorgiana. Não é, contudo, com esse jogo que se constrói uma nova rota para o futuro, nem é com tal jogo que se chega ao desenvolvimento, cuja passagem deve ser palmilhada pela reflexão e ação política. Pois as inquietações de ontem ainda perturbam o mato-grossense, de nascimento e por adoção, e o Estado.


Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br


Autor

Lourembergue Alves

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e articulista

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