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Opinião
Domingo - 10 de Junho de 2012 às 09:57
Por: Lourembergue Alves

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Planejar é o verbo desconhecido dos governantes. Verdade que, infelizmente, permeia o cotidiano das administrações públicas brasileiras. Bem mais a do Estado de Mato Grosso. Pois, aqui, as obras que deveriam ter-se iniciado há três anos, por ora engatinham. E mesmo assim não são todas as que estão previstas. Apenas uma meia dúzia delas. Ponto negativo. Muito mais quando se observa que o governo patina, inclusive, em seus afazeres cotidianos. Isso tem deixado a sua gestão fragilizada. Daí a substituição em demasia de nomes para a composição do secretariado, muitas vezes em razão das vontades dos líderes da base aliada. 
 
Estes líderes passam vez ou outra, a darem o tom da própria gestão. Já ouve caso, por exemplo, em que o chefe do Executivo só foi chamado para homologar a troca realizada pela cúpula petista, e esta também determinou que a antiga secretária se transformasse em adjunta e um recém desempregado virado seu titular. Fato tragicômico – para não dizer outra coisa – seguido por lances pitorescos, bastante corriqueiros. Um destes é a reiterada exigência de reforma. Exigência antes apenas dos integrantes do PSD, cujo poder de sedução não passou do verbo chantagear, e agora igualmente dos republicanos, que temiam ser desapeados do poder de mando, seguidos taciturnamente por progressistas. 
 
Situação complicada. Bastante agravada. Sobretudo quando se percebe que o número de auxiliares substituídos supera, e muito, o natural, e de longe se distancia do alcançado pela presidente Dilma. Ainda que a presidente tenha razão diferenciada para efetuar as trocas. Não necessariamente a mesma razão que levou o governador Silval Barbosa a substituir doze de seus secretários, em menos de dezesseis meses. Bateu o recorde. Proeza não elogiável. Pois revela o descompasso entre o razoável e o inaceitável. Se bem que o inaceitável, dentro da lógica do mercado político, pode ser “vendido” como o possível, uma vez que o Estado carece de mudanças. Isso no entender dos “cabeças pensantes” governistas que, sequer, apresentaram um projeto a respeito. Eles “chutam dados”, sem saberem ao certo quantos deveriam deixar o governo para fazer a máquina regional mais enxuta, e fazê-la funcionar bem sem os penduricalhos, os quais têm como autores os próprios políticos que hoje gritam por reforma e mudanças.    
 
A discussão, então, se perde no vazio. Um vazio que é preenchido pelos interesses particulares, grupais. Longe o bastante dos anseios da população. Esta, aliás, jamais esteve – de fato – em primeiro plano dos atuais “donos do poder” regional.

Condição pela qual faz com que petistas, peemedebistas, republicanos e progressistas continuem no mesmo barco. Embora a todo instante se encontrem em meio a um parigato. Daí o rifar de nomes dentro do próprio governo. Um governo que não conta com planejamento algum, nem ao menos para substituir quem deixa o posto de auxiliar – pois lhe falta os critérios técnico e político, base de qualquer administração pública. 
 
Isso é ruim. Pior do que se possa imaginar. Pois lhe falta o básico necessário. Básico que, sequer, os partidos aliados têm para lhe oferecer. E ninguém pode oferecer o que não possui. O que explica o desempenho pífio do conjunto de deputados estaduais. Verdade que assusta, uma vez que a administração pública também precisa do olhar fiscalizador, e, quando este é míope, nada mais lhe resta a não ser navegar sem rumo certo, quase a base do improviso, e a torcer que seus desacertos sejam escondidos pelas grossas camadas de maquiagem, as quais são incapazes de esconder a ausência de planejar.           

       
Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br.  


Autor

Lourembergue Alves

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e articulista

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