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Opinião
Sexta - 02 de Abril de 2010 às 10:44
Por: Lourembergue Alves

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Hoje, talvez mais do que outro dia, é propício para se falar sobre o viver e a convivência. Não da morte. Pois esta faz referência a desaparecimento, cuja conseqüência redunda em perda. Perda que se resulta em tristeza e em solidão, e, por conta disso, nada tem a ver com a vida. 

Vida é luz. Falem-se, pois, todos do viver. Estágio de comunhão, de parceria e de companheirismo. Embora se saiba que tais palavras, ultimamente, vêm perdendo seus reais significados e importância, tornando assim termos supérfluos, esquecidos na prateleira dos fora de moda, dos fora de usos. Daí o crescente índice de separações. Processo esse que faz, por exemplo, dos enamorados dois estranhos, e não um só corpo ou, no dizer de certa canção, “como a flor e a raiz”, “dois amantes presos num só coração”, nos quais têm “segredos”, “mistérios” que só eles mesmos sabem “descobrir”, além do fato de que um sabe os “desejos” do outro. O inverso também é verdadeiro, uma vez que seus “corpos se procuram, se descobrem e se misturam”, no instante em que se confundem, formando um único. 

Percebe-se, aqui, a cadência do amor. Diferentemente da pornografia, do puro sexo, cujo ritmo passa bem longe do daquele. Sobretudo porque o amor é essencialmente diálogo, e, portanto, entendimento. Não apenas no entendimento entre dois corpos, mas sim entre duas pessoas. Isso em todas as fases do estarem juntos. O que requer desprendimento, conjuntamente com o respeito mútuo. Sem “o pular a cerca”. Bastante presente nos folhetins televisivos, onde filho transa com a mulher do pai, em uma cópia grosseira, ou de quinta categoria da história de Laio, Jocasta e Édipo, de um desfecho trágico.
 A maldição de Édipo, entretanto, se resume em mortes, sofrimentos, distanciando assim do propósito deste texto, cujo objeto é a vida. Vivida sempre ao lado de outras pessoas. O que apresenta um quadro extraordinário de experiências, pensamentos e emoções, muitas das quais podem, e certamente afloram como drama humano. Este, contudo, deve ser superado. Tarefa primeira do conjunto da sociedade, assim como também o é de cada um de seus membros, individualmente. Aliás, já dizia Sócrates, o mais importante trabalho do homem é o de “conhecer a ti mesmo”. Aprendizado que permite ser alguém melhor do que fora ontem, e amanhã, infinitamente superior da condição em que se encontra hoje. 

Por tudo isso, não se tem dúvida, vale a pena viver. Ainda que se tenha uma caminhada cheia de obstáculos, de dificuldades ou, seja obrigado, diariamente, a quebrar as amarras, que o traz preso a uma falsa realidade, e a escalar os muros, em busca de um novo mundo. 

Eis, aqui, o espírito da liberdade. Tal como pensaram os antigos gregos, representados, de certo modo, pelo “Mito da Caverna”, de Platão. Sem, contudo, ignorar o que é ético, a exemplo do que escrevera Aristóteles, nem o que é justo, conforme pregara Jesus.

Estampa maior do viver. Viver, portanto, é compartilhar com alguém aquilo que há de mais sagrado, e este, evidentemente, só poderia ser a vida, mesmo que este texto tenha sido escrito no dia da mentira (1º. de abril).     


Lourembergue Alves
é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br



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Lourembergue Alves

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e articulista

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