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Opinião
Quinta - 25 de Março de 2010 às 12:59
Por: Serys Slhessarenko

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O mundo vem enfrentando grandes problemas climáticos e sociais que se traduzem em consequências danosas e que produzem resultados inéditos em termos de seu alcance e perenidade. Hoje, discute-se como resolver os desafios e a cadeia de problemas globais que deles derivam, sem se saber ao certo por onde começar. Uma boa iniciativa é a Hora do Planeta. Uma forma de protesto, no qual mais de um bilhão de pessoas de todo o mundo se juntam para apagar as luzes em uma forma de protesto e preservação do meio ambiente. Dia 27 de março, as 20h30, será o momento de todos juntos mostrarmos que também queremos superar o desafio de preservar o local onde vivemos.

Mas quais são estes desafios que estão a cobrar ações imediatas dos governos, da sociedade civil e das casas legislativas ao redor do globo?

As mudanças climáticas, a segurança alimentar e energética e as crises financeiras mundiais têm sido problemas a serem superados. No entanto, sabemos que grande parte deles foram gerados por nós mesmos.

Apesar da expressiva redução de 50% do desmatamento na Amazônia em 2009, quando comparado a 2008, hoje é inquestionável a área que já foi desmatada ao redor do mundo, principalmente no processo de expansão econômica dos países ditos desenvolvidos.

Além disso, a emissão de poluentes na atmosfera e nas águas, nos lençóis freáticos e em todo o globo, potencializa o espectro de destruição da nossa biosfera. As gigantescas florestas na Amazônia, no Canadá e na Rússia, que atuam como pulmões verdes já não são mais capazes de mitigar a crescente contaminação pelas emissões de CO2.

A contínua expansão industrial e a retórica de que o aquecimento global seria fruto de um fenômeno ambiental cíclico são realidades. Já é consenso mundial que algo deve ser feito em caráter urgente para interromper a expansão das emissões de CO2 e reduzir as concentrações tóxicas de carbono.

Esse é um dos maiores desafios que precisamos superar, interrompendo a degradação e disseminando o conhecimento necessário para recuperar as áreas já afetadas. No Brasil, por exemplo, estamos fazendo nossa parte, apesar do longo caminho ainda a percorrer, já somos reconhecidos como vanguarda na proteção ambiental e na busca do desenvolvimento sustentável a partir de energias limpas e renováveis.

Chegamos à Conferência Global da COP-15, no ano passado, com o compromisso e a meta de reduzir o desmatamento em 80% até 2020, numa contribuição bem maior do que todos os outros países presentes ao fórum em Copenhague puderam, ou ousaram, oferecer. Apesar das dificuldades de se obter um acordo para a redução das emissões de carbono e a mitigação dos níveis atuais, num sistema de compensação, mediante créditos de carbono e financiamento aos países mais pobres, houve uma constatação universal. Os maiores poluidores do planeta não puderam sustentar a retórica falaciosa do aquecimento global como ciclo natural. Hoje todos admitem a componente humana. Assim, ainda mais fortalecidos pela postura proativa do governo Lula, continuamos reafirmando os nossos compromissos, apoiados na redução das emissões de CO2 e eliminação do desmatamento, além do constante aperfeiçoamento da nossa matriz energética. Isso tudo acrescido do enfoque no desenvolvimento sustentável e na segurança alimentar.

Na área da segurança energética, o Brasil já se destaca na busca de tecnologias limpas para a exploração de petróleo na camada do Pré-Sal, além do sucesso mundialmente reconhecido do uso de combustíveis renováveis, que representam uma importante parcela de toda a energia consumida no País.

Alguns estudos sobre os biocombustíveis mostram que a cana-de-açúcar é até 15 vezes mais eficiente que o milho na produção desse tipo de energia, sendo que pelo menos 50 países já almejam essa tecnologia brasileira de produção de etanol. Tecnologia esta que pode ser implantada na África como fonte de receitas para as regiões mais pobres e carentes daquele imenso continente.

O Brasil, ainda na questão da produção do etanol, fica à frente de outras economias, segundo os estudos da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) que comprovam em termos energéticos e de redução de emissões de gases-estufa, que nada se compara, nem de longe, à cana-de-açúcar produzida no Brasil. Essa opção pelo etanol aponta para a busca do desenvolvimento sustentável, contribuindo para maximizar o desempenho da matriz energética nacional.

É do uso correto das ferramentas que dispomos, associadas à educação e à fiscalização, que poderemos fazer do nosso Brasil um país cada vez melhor, caminhando firmes no combate às causas das mudanças climáticas e comprometidos com o desenvolvimento sustentável e a responsabilidade social.

 

* Serys é Vice-Presidente do Congresso Nacional, membro da Frente Parlamentar Ambientalista e Senadora pelo PT por Mato Grosso.



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