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Opinião
Quinta - 25 de Março de 2010 às 10:05
Por: Pedro Nadaf

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Qual o desejo de todo empresário brasileiro? Se fosse para resumir esta resposta em apenas duas palavras, creio que a maioria responderia: bons negócios. Afinal, ela remete a uma interessante conjugação de resultados satisfatórios, que são como lubrificantes que fazem girar as engrenagens da economia de forma mais eficaz. Isso pode englobar, dentre outros fatores, a segurança nos investimentos, novas aquisições para ampliação de infra-estrutura, aquecimento nas vendas, conquistas de novos mercados, novas contratações, melhorias na gestão de pessoas, redução da inadimplência, otimização dos processos de comunicação e marketing, aumento do consumo, de renda... enfim, remete a um quadro positivo, no qual ventos favoráveis sopram e as incertezas diminuem. Neste processo são de grande relevância as pesquisas conjunturais, que servem como parâmetros para entender o mercado e sinalizar o melhor caminho para tomadas de decisões.

Percebe-se que há poucos diagnósticos neste sentido, e que quando acontecem nem todos fazem rápidas disseminações dos resultados. Dentre as instituições que levantam dados relevantes, focados em perspectivas econômicas no país, e que os divulgam com agilidade, visando principalmente antecipar o potencial das vendas, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) merece especial destaque. A instituição a partir deste ano, passou a realizar mensalmente duas pesquisas de âmbito nacional: de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) e de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). O tamanho do levantamento é considerável, com amostragens obtidas a partir de 18 mil questionários, aplicados em todo o país, tomando-se por base 27 cidades e o Distrito Federal.

Para se ter uma idéia da dinâmica das pesquisas, na segunda quinzena de março a instituição já divulgou os resultados referentes as projeções para próprio mês, o que comprova a grande agilidade na tabulação, análise, envio de relatórios e divulgação. De fevereiro para março, por exemplo, foi detectado uma pequena elevação no que tange o nível de satisfação na empregabilidade, avançando de 134,1 para 134,6. Isso mostra que o processo de recuperação do mercado de trabalho está consistente.

Dentre outros dados, é apontado na pesquisa ICF que famílias com renda total acima de 10 salários mínimos estão mais seguras no tocante ao emprego, estas apresentam elevação mais favorável do que as famílias mais pobres, +1,2% contra +0,4%, respectivamente. A região norte, com 143,7%, e a Centro-Oeste, com 138,9%, foram às que mais se destacaram nas percepções positivas. Suas variações em março em relação a fevereiro foram respectivamente de 1,7% e 3,8% positivos. Ou seja, a capacidade para endividamento está aumentando em nossa região.

A pesquisa nacional da CNC, com referência à Peic, revela que em março o percentual de endividamento familiar chegou a 63%, contra 61,8% em fevereiro e 61,2%,em janeiro, o que resulta numa linha ascendente. Já o percentual de endividados, com contas ou dívidas em atraso, se elevou de 25,6% para 27,3%. Quanto aos que não tem condições de arcarem com seus compromissos, o índice aumentou em apenas 1%, saindo de 8,6% de fevereiro para 8,7%, em março.

Os percentuais maiores das famílias endividadas no país, segundo a pesquisa, estão concentrados nas obrigações com: cartão de crédito, 72,5%; carnês, 27,4%; financiamento de carro, 12,5% e crédito pessoal, 10,2%. No tocante aos menores índices a pesquisa constatou que estão: financiamento de casa, 3,8%; crédito consignado 3,9%; cheque pré-datado, 4,9% e cheque especial, 9,5%.

No cômputo geral os resultados das pesquisas divulgadas pela CNC são positivos e mostram que continuam a se manter consolidadas as projeções econômicas para primeiro semestre. Aliás, 2010 promete ser o ano de consumo, segundo expectativas de especialistas. Isso, entretanto, não elimina a possibilidade de risco de se aumentar a inadimplência, no segundo semestre, em virtude das expectativas da elevação da taxa Selic, que se encontra no índice de 8,75%.

Outro ponto frágil que refletirá no desempenho do segundo semestre, que já começa a ser percebido no final deste primeiro trimestre, será a queda no comércio de bens duráveis, principalmente da linha branca, cuja performance nas vendas, com a redução do IPI, sustentou o otimismo da indústria, comércio e dos consumidores, desde o primeiro semestre do ano passado, ao início de 2010. Prova é que, a pesquisa ICF aponta que com o impacto da retirada do incentivo, os duráveis foram responsáveis por contribuir com mais da metade da queda da intenção de consumo das famílias, em relação à pesquisa de fevereiro. No geral, o levantamento da CNC apontou que a percepção favorável, do momento atual, para aquisição de bens duráveis recuou de 72% para 66,5%.

Como forma de contribuir com a disseminação de resultados, informo que para acompanhar as pesquisas nacionais da CNC, basta acessar o seguinte endereço eletrônico: www.portaldocomercio.org.br. Os levantamentos relativos ao mês de março estão também disponíveis no site: WWW.fecomercio-mt.com.br, em últimas econômicas.


Pedro Nadaf é secretário de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia e presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-MT



Autor

Pedro Nadaf

PEDRO NADAF é secretário-chefe da Casa Civil

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