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Opinião
Quinta - 11 de Março de 2010 às 13:54
Por: Adilson Rosa

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A ministra - e candidatíssima - Dilma Roussef se diz preparada para uma comparação entre o Governo Lula e FHC, para mostrar quem fez mais pelo Brasil. Acho que a comparação deveria ser outra - daquilo que os dois governos em 15 anos deixaram de fazer é essencial para o país.

Com certeza, a ministra e o tucanato não querem falar de infraestrutura. Nem FHC nem Lula modernizaram os portos, duplicaram rodovias essenciais para o escoamento da safra. A Cuiabá Santarém asfaltada ainda é um sonho. Portos modernos? Também estão nos programas de governo.

Para quem ampliou a produção agrícola nos últimos 15 anos de 100 milhões para 150 milhões de toneladas, esperava-se a contrapartida do governo em ampliar a malha viária - e até ferroviária - na mesma proporção ou em escala menor.

Em 15, os dois governos sem inflação tiveram uma atuação pífia. Nada se fez e o frete - por causa da distância e principalmente das estradas esburacadas - faz com que nossa produção perca a competitividade, deixa o agricultor sem lucro, só com a dívida.

A educação também não foi lembrada. Passa a ser um capítulo à parte dos dois governos que elevaram o país a categoria de emergente, com mais da metade da população inserida na classe média - para a alegria da indústria e comércio -, mas pontos básicos ficaram esquecidos e se transformaram em verdadeiras bombas-relógios.

Um país rico sem ter uma educação no topo das prioridades é como construir um sobradinho, pensando na decoração, no forro, na churrasqueira, no telhado. Menos o alicerce. Não vai demorar muito e o sobradinho desmorona e fica em ruínas. Pelo jeito, estamos a caminho desse caos. Nesses 15 anos, a educação andou em passos de tartaruga. Deveria ter a velocidade de uma onça em fuga. E quando a casa cair, ninguém será o engenheiro responsável por essa obra catastrófica.

Se por um lado os governos não priorizaram estradas, portos, tampouco educação; por outro, o atual governo criou milhares e milhares de cargos de confiança. São aqueles empregos sem concurso público destinados principalmente aos "companheiros" que ajudaram na campanha. Afinal, quem ajudou na eleição precisa também aproveitar da situação. São milhares e milhares de cargos e milhões em gasto. Enquanto isso, educação, infraestrutura aguardam.


ADILSON ROSA
é repórter do jornal Diário de Cuiabá.



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