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Opinião
Quinta - 11 de Março de 2010 às 00:13
Por: Kleber Lima

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O mês de março pode predizer ou antecipar o resultado das eleições de 2010 em Mato Grosso. Isso porque haverá este mês acontecimentos fundamentais na definição do calendário eleitoral e também da formatação da correlação de forças político-partidárias que entrarão em campo a partir de julho.

No campo da oposição, a esperada renúncia do prefeito Wilson Santos (PSDB) até o final do mês e a consequente entrega do comando da prefeitura ao vice Chico Galindo (PTB) define um time do jogo. E define também uma nova administração da capital. Por mais que muitos possam acreditar que continuará tudo como dantes no quartel de Abrantes do Palácio Alencastro, um novo prefeito representa sim um novo governo. Se será melhor ou pior que o atual, o tempo irá dizer. Especialmente o curto tempo entre abril e outubro, quando as eleições ocorrem.

Ainda esta semana, segundo anunciam pela imprensa os porta-vozes do PSDB e DEM, sai a definição sobre quem, entre Wilson Santos e Jayme Campos, será o candidato a governador pela oposição. Após isso, mais do que nunca o calendário eleitoral é encurtado.

Já no campo da situação, pode-se dizer o mesmo em relação à renúncia de Blairo Maggi (PR) para a posse de Silval Barbosa (PMDB). Nesse caso, entretanto, o time eleitoral já está definido: Silval é o candidato.

Contudo, a atenção dos principais players das eleições está toda concentrada na nova configuração que Silval dará a seu governo. Como já dito em relação a Chico Galindo, o governo de Silval será sim diferente do governo de Blairo, ainda que ele mantenha absolutamente todos os atuais secretários. O que não ocorrerá, já que muitas alterações já foram confirmadas, umas por razões naturais outras por razões políticas. O desempenho do novo governador será igualmente avaliado entre abril e outubro. E das comparações entre os dois novos governos (estadual e municipal) sairá provavelmente muita decisão de voto do homem simples, o eleitor.

A situação do Silval, entretanto, é bastante diferente da de Galindo. Silval será candidato. Logo, recairá diretamente sobre ele os erros e os acertos do governo. No caso do Galindo, se conseguir pôr a casa em ordem, tentará transferir esse crédito ao Wilson. Se continuar capengando como está hoje, poderá, no máximo, dizer que não conseguiu corrigir os erros herdados. O que não ajudará seu candidato.

Agora, como governador-candidato, Silval caminhará no fio da navalha. Terá que conciliar o projeto eleitoral com o de governo. Isso representa uma pressão extra. As mudanças no secretariado– e que terão que ser consolidados até 31 de março – serão mais que um indicador do tipo de governo que ele quer fazer este ano: definirão os aliados que terá no palanque.

Além de manter os espaços de PR, PP e PT no Governo, Silval precisa abrir posições para o PMDB e outros novos aliados, ampliando sua base de apoio. Sobre o PMDB, essa discussão se o partido terá mais ou menos espaço no Governo, a rigor, só interessa mesmo à oposição. Como governador do PMDB, se Silval não contemplar seu partido é como agradar o vizinho em prejuízo dos membros da própria casa. Um erro que pode custar caro ao Silval é comer a isca da oposição, especialmente do PSDB, na sua fixação em atacar Carlos Bezerra. O governador será Silval Barbosa, e não Carlos Bezerra, ainda que este indique, em nome do partido, fulano ou beltrano para ocupar secretarias. Da mesma forma, os partidos – os atuais e que poderão somar-se ao projeto governista – precisam entender que o governador será Silval e não Blairo Maggi, mesmo que permaneçam muitos dos atuais secretários.

Entre os nomes já anunciados, Silval acerta na transferência de Eder Moraes da Sefaz para a Casa Civil. Desde a saída de Luiz Antonio Pagot e depois Carlos Brito, aquela pasta não tinha alguém com o traquejo necessário para a função. Eder, nos últimos tempos, já tem sido um dos grandes articuladores do Governo, especialmente junto aos poderes Legislativo e Judiciário, e sua indicação inclusive já foi elogiada por vários deputados estaduais.

Outra habilidade de Eder é a de porta-voz do governo. Ultimamente, só perde para Blairo e Silval como principal fonte oficial do Governo na imprensa. E tem demonstrado um conhecimento global do atual Governo como poucos secretários, e tem o desprendimento e a coragem necessários para fazer o debate com a oposição. Na Sefaz, creio que tinha muitas para desempenhar o papel de articulador e mesmo porta-voz, pela natureza do cargo. Já na Casa Civil ficará mais a vontade para fazer inclusive alguns enfrentamentos que eventualmente estaria impedido na função anterior. Há mais a ser dito sobre o preditivo mês de março. Voltarei ao tema.

 

(*) KLEBER LIMA é jornalista e consultor de marketing em Mato Grosso. E-mail: kleberlima@terra.com.br.



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Kleber Lima

KLEBER LIMA é jornalista e secretário de Comunicação da Prefeitura de Cuiabá

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