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Opinião
Segunda - 08 de Março de 2010 às 14:27
Por: Lourembergue Alves

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Os maratonistas continuam firmes. Demonstram persistência e uma ambição pessoal desmedida. Não é para menos, uma vez que o percurso a ser feito é íngreme e bastante complicado. Até o topo de chegada, ainda resta muito chão. Pedaço suficiente para que um deles possa ser levado a deixar a dita corrida, mesmo que tal possibilidade seja sempre descartada. Tanto por eles como por quem se encontra na retaguarda. Estratégia importante, porém insuficiente. É preciso bem mais que isso. Projeto alternativo capaz de dobrar os julgadores. Estes se mostram pouco entusiasmado. O que faz da cadeira do Paiaguás um objeto distante das mãos dos corredores. 

 Esses senhores, porém, não se intimidam. Nenhum parece ter pedido arrego. Embora, recentemente, a raia do prefeito-tucano foi bloqueada. Tudo porque na corrida anterior, em direção a outro palácio, o Alencastro, os fiscais alegaram que a sua largada foi “queimada”. Recorrer da decisão apertada é a sua saída. O tempo, talvez seja, nesse instante, o seu maior inimigo. Nada, entretanto, que o faz esmorecer. Nem deve. Sobretudo, agora, que uma pesquisa o aponta estar à frente na corrida pela cadeira de governador.

É seguido, muito próximo, pelo representante do PMDB/PR/PT. O mesmo autor das famosas cartinhas para as crianças, cujo objetivo era se passar por “um cara legal”, tanto que distribuiu, juntamente com o seu padrinho, máquinas para as prefeituras. Ações tidas como “propaganda extemporânea”. Não, entretanto, para os olhos da Justiça. Assim, o atual vice se mantém no páreo. Ainda que apresente uma série de falhas na estratégia, e isso, por vezes, o deixa empacado. Daí o surgimento de uma terceira via, elaborada e viabilizada no gabinete do chefe do Executivo estadual.

 Tática muito boa. Tanto que deslocou um republicano para a haste do PSB. Resultado da metamorfose de um empresário em neosocialista. O útero político que o gerou, no entanto, não pariu a fórmula para atrair os partidos descontentes das alas governistas e oposicionistas. Processo que deixou à mostra as feridas do PPS e do PDT. Agremiações completamente divididas. Não por questões programáticas e ideológicas. Mas, isto sim, por interesses particulares de suas cúpulas. Interesses que ultrapassa o limite regional para se restringir ao ambiente rondonopolitano, como é o caso do PPS. 

 Situação, contudo, que atrapalha um pouco o deslanchar da terceira via. Não o suficiente para fazer com que o empresário-neosocialista se distancie demasiadamente do senador democrata. 3,0% o separam do várzea-grandense, 13,8% do vice-candidato e 15,5% do prefeito-candidato.
 Nada está, portanto, definido. Até porque 22,4% dos julgadores não se manifestaram a respeito da corrida. Além disso, falta um montão de coisas para acontecer. Mas, de qualquer modo, ao se manter esses concorrentes, a disputa tende a se acirrar. Podendo, inclusive, ser influenciada pela briga nacional. 

 Contudo, a pegada do discurso e a maior habilidade no vender a própria imagem devem ser pontos decisivos no embate estadual. Um embate, que a bem da verdade, recente pela ausência de bons esgrimistas ou, quem sabe, de bons maratonistas, para não se fugir do tom da corrida ao Palácio Paiaguás.

Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br.


Autor

Lourembergue Alves

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e articulista

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