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Opinião
Sexta - 19 de Fevereiro de 2010 às 13:36
Por: Waldir Serafim

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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo publicado no Estado de São Paulo, ao dizer que a Dilma é um espelho de líder, mas não é líder, botou ordem na casa. Lula desfruta de uma popularidade altíssima e, a julgar pelos programas eleitorais do PT, vai fazer de tudo para transferir parte de seu capital eleitoral para sua candidata Dilma. Bater de frente contra o muro da popularidade do Lula é antecipar o resultado das eleições: Dilma na cabeça.

O que FHC fez foi colocar no debate a seguinte pergunta: Quem é Dilma Rousseff? Em outras palavras: como pode uma pessoa que nunca teve um voto sequer na vida se julgar credenciada para ocupar o cargo mais importante do País?
 
O passado de Dilma é uma incógnita. O que se conhece dela, não a credencia. Sabe-se, que quando era ainda bastante jovem, naquela idade em que são movidos mais pelo gosto de aventura, pela adrenalina, do que por idealismo, entrou na luta armada. Participou do assalto de alguns bancos no Brasil. Diz-se que era para financiar a luta armada pela resistência contra a ditadura militar instalada no Brasil. Quem vai saber as causas que a levaram a participar de uma quadrilha de assaltantes de bancos? Na ignorância dos fatos prevalece a versão: a de que Dilma lutou por idealismo. Mesmo prevalecendo essa versão dos fatos, ainda, assim isso não credencia ninguém a ser Presidente da República. 
 
Todos os demais candidatos, Serra, Aécio, Ciro e Marina, entre outros, já passaram pelo teste das urnas e têm experiência administrativa. Serra foi senador por São Paulo, prefeito e governador, secretário de Planejamento e ministro da mesma pasta, além da de Saúde. Aécio, herdeiro político de Tancredo Neves, de quem era neto e assessor, foi deputado Federal, presidente da Câmara dos Deputados, governador de Minas Gerais, reeleito com 78% dos votos mineiros e considerado o melhor governador do Brasil. Ciro Gomes foi prefeito de Fortaleza, governador do Ceará e atualmente é deputado Federal eleito com a maior votação proporcional do Brasil, além de ter sido ministro duas vezes: da Fazenda no governo Itamar Franco e da Integração no governo Lula. Marina Silva é senadora pelo Acre e foi ministra do Meio Ambiente, no governo Lula. Todos têm experiência administrativa e já passaram pelo teste das urnas. Mesmo Lula, somente chegou a presidente na quinta eleição que disputou e depois de ter corrido o Brasil de ponta a ponta, na sua caravana da cidadania. Além de ter sido deputado Federal constituinte por São Paulo.
 
E Dilma? Nunca foi sequer vereadora do menor município do Brasil. Nada se sabe de Dilma. Não se conhece um livro que ela tenha escrito, um artigo, nada que tenha comprometido seu pensamento. Nada se conhece de Dilma antes do governo Lula. É uma incógnita.

Tenho para mim que Dilma não passa da manifestação do superego do Lula. Dentre tantas opções, mais credenciadas para o posto, Lula resolveu demonstrar sua força. Quer mostrar para o Brasil e para o mundo que consegue eleger até um poste. E o poste é Dilma.
 
Dilma não passa de uma aposta de Lula. Mas uma aposta perigosa, pois tem chances reais de vencer as eleições. Mas e depois? Terá Dilma condições de governar o Brasil? Não administrativamente, pois para isso basta nomear uma boa equipe de ministros, que o corpo técnico e a burocracia cuidarão de fazer a máquina caminhar. A preocupação é com relação à área política. Pois, o jogo político, o chamado sistema, é bruto.
 
O arco de alianças políticas que se está formando em torno da candidatura Dilma vai cobrar um preço alto. Somente uma forte liderança para controlar e amainar os apetites fisiológicos desses partidos políticos. O jogo político não respeita regras. Quem não tiver liderança para se impor na negociação será triturado pela máquina. 

Num passado recente tivemos uma experiência sintomática com Collor de Mello, mesmo tendo muito mais credenciais políticas do que Dilma, se apequenou frente o poder e foi defenestrado do posto. Enganam-se os que pensam que Collor foi tirado do poder por corrupção. Foi também, mas isso foi apenas o argumento utilizado pela máquina para atrair apoio popular para a causa: sua retirada da cadeira. Collor caiu porque não teve liderança para domar o sistema. Teve para vencer as eleições, mas não a teve para governar. 

Nem mesmo um partido forte terá a Dilma para lhe dar sustentação. O PT, depois do mensalão e outros escândalos diminuiu e hoje é apenas um espectro do partido que foi no passado. No primeiro mandato de Lula, o PT era um partido no poder. Hoje é apenas mais um partido na coligação do governo. Dilma ficará nas mãos de partidos como o PMDB, com sua reconhecida voracidade.
 
Concluo, então, que até hoje Dilma tem se valido da liderança do Lula. Mas e depois da posse? Dilma vai permitir que Lula lhe faça sombra? Será que Lula será um Putin brasileiro: o poder atrás do poder, como na Rússia? Dilma, sabidamente, tem um gênio forte. É muito difícil imaginar que ela aceite governar na sombra de Lula.

É melhor não pagar para ver.

Waldir Serafim é economista em Mato Grosso.



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