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Opinião
Segunda - 01 de Fevereiro de 2010 às 16:56
Por: Antonio Gonçalves

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As práticas intimidatórias com o intuito de disseminar o medo e a insegurança através do terror são a marca registrada dos grupos terroristas. O pano de fundo que cobre e envolve o terrorismo engloba questões como religião, etnia, etc. Entretanto, se engana quem pensa que o terrorismo se limita a uma disputa entre ocidente e oriente, pois, o viés que separa e alimenta a fúria é um pouco mais profundo e atende por nome diverso: política,  que não conhece fronteiras geográficas, culturais ou religiosas.

É a disputa por territórios, influência e, acima de tudo, poder, que movimenta o terrorismo e cada vez mais propaga os grupos de extermínio. Atualmente não se pode atribuir força ou liderança a um único grupo, até mesmo pela característica peculiar de comando que atua de forma horizontal, ou seja, várias células autônomas entre si sem uma hierarquia elevada como um sistema piramidal, mas é inegável que o medo propalado pelo Hamas, Hizbollah, Talibã, Al-Qaeda é muito mais forte e consistente do que as forças que o combatem.

O alvo, corriqueiramente, é o Governo da nação escolhida para o ataque terrorista, numa clara disputa por poder. Num passado recente era mais fácil se identificar a disputa política quando os movimentos eram internos ou nacionalistas, como os atentados ocorridos na Irlanda através do grupo IRA e na Espanha com o ETA.

Após os atentados de 11 de setembro, nos Estados Unidos, foi apresentado ao mundo que a sofisticação terrorista aumentou e adveio conjuntamente com o uso indiscriminado de armas químicas e homens bomba, etc.

De tal sorte que o principal enfoque dos grupos é a produção do terror e, infelizmente, uma nova forma de espalhar a insegurança coletiva surgiu. O atentado à delegação de futebol do Togo promovido pelo inimigo oculto, isto é, o terrorismo demonstra que o medo pode emergir em qualquer momento, seja no trabalho, no descanso ou até mesmo no lazer. E a insegurança em não se conhecer o próximo passo é que fomenta o terror, tanto é verdade, que a seleção do Togo se retirou da Copa Africana de Nações, por temer pela segurança e pela integridade de seus atletas.      

A seleção do Togo, em verdade, foi mais um alvo à conveniência do terrorismo, mas o objetivo fulcral da investida era outro: afetar o governo angolano, ou seja, uma disputa política acerca da independência de Cabinda. O governo de Angola sequer discute a questão, uma vez que Cabinda responde por 80% da produção de petróleo daquele País. No entanto, a região sequer faz fronteira com a Angola.

O ataque tem como fundamento alterar a emoção das pessoas, o clima amistoso e, com isso, o lazer produzido pelo esporte ganhou contornos de insegurança. Outras delegações já pediram o incremento da segurança, alguns jogadores de futebol presentes já demonstraram preocupação com sua segurança e, até mesmo com sua vida.

Nesse diapasão não há como negar: o terrorismo chegou ao esporte. E em ano de Copa do Mundo, como proceder? Se nem o esporte está salvo dos terroristas como se proteger num evento que reúne 32 nações diferentes para proporcionar o lazer coletivo?

O exemplo recente dos Estados Unidos que decidiram por atacar indiscriminadamente o inimigo oculto produziu mais problemas do que soluções. Diplomacia também não parece ser um caminho viável já que os grupos guerrilheiros têm a consciência de que ao mostrar seu líder este se transforma num alvo fácil.

O poder corrompe as pessoas e as nações e o terrorismo é a mostra cabal de que a cobiça não possui limites, logo, enquanto não encontrarmos uma forma eficiente de combate, ou melhor, de proteção o terror seque na porta ao lado e até mesmo o esporte perdeu sua aura imaculada.

* Antonio Gonçalves é advogado criminalista e membro da Association Internationale de Droit Pénal - AIDP. Pós-graduado em Direito Tributário (FGV), Direito Penal Empresarial (FGV) e Direito Penal - Teoria dos Delitos (Universidade de Salamanca - Espanha). Mestre em Filosofia do Direito e Doutorando pela PUC-SP. É especialista em Direito Penal Empresarial Europeu pela Universidade de Coimbra (Portugal); em Criminologia Internacional: ênfase em Novas armas contra o terrorismo pelo Istituto Superiore Internazionale di Scienze Criminali, Siracusa (Itália); e em Direito Ambiental Constitucional pela Escola Superior de Direito Constitucional. Fundador da banca Antonio Gonçalves Advogados Associados, é autor, co-autor e coordenador de diversas obras, entre elas, "Quando os avanços parecem retrocessos -Um estudo comparativo do Código Civil de 2002 e do Código Penal com os grandes Códigos da História" (Manole, 2007) e "A História do Direito São Paulo" (Academia Brasileira de História, Cultura, Genealogia e Heráldica, 2008).



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