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Opinião
Quarta - 27 de Janeiro de 2010 às 18:19
Por: Kleber Lima

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Roberto Freire, o eterno presidente do PPS, segundo lemos nos jornais de quarta (27.01), acabou com o jogo de faz de conta em torno de eventual apoio da legenda, em Mato Grosso, a Mauro Mendes ao Governo. Freire foi, como lhe é costumeiro, curto e grosso: “Não aceitamos em hipótese alguma, mesmo que regionalmente, apoiarmos a candidatura da petista Dilma Roussef. Nós vamos, por decisão tirada em congresso nacional do PPS, com a candidatura de José Serra pelo PSDB" (sic).

Significa que nos estados o PPS também vai de PSDB e DEM. E em Cuiabá, os candidatos possíveis para esse apoio são Jaime Campos ou Wilson Santos.

Notícia, a rigor, é algo inédito. E de inédito nesta decisão do PPS não tem nada. Todos sabem que Roberto Freire joga no time tucano há muitas luas. Todos, menos o desavisado Mauro Mendes, que embarcou nas traquinices de Percival Muniz. A menos que, todavia, tudo isso não tenha passado de mero jogo de cena, e os dois sejam cúmplices nessa história toda.

Já alertei mais de uma vez, aqui desse espaço, que não havia essa hipótese de o PPS jogar fora do script de Freire. Como é sabido, a relação de Freire com os tucanos transcende as questões políticas e ideológicas. Afinal, ele é remunerado pelo esquema tucano, em São Paulo, assim como o nosso ex-senador Antero Paes de Barros. Quando entra grana na história, é o fim da política.

Leio também que o PDT de Mato Grosso reitera, por meio de seu presidente estadual, Otaviano Pivetta, seu apoio a Mendes, mesmo sem o PPS. A pergunta, para esse caso, é simples: qual a real pretensão desse projeto, se Mauro Mendes puder contar apenas com PSB e PDT? A resposta parece óbvia: apenas negociar uma melhor posição num acordo com outra coligação.

Isso pode explicar o que fontes ligadas a MM já não fazem mais questão de esconder: Mauro Mendes parece já considerar a hipótese de ser o vice de Silval Barbosa, candidato do núcleo governista, capitaneado por PMDB, PR e PT.

Fora da chamada Frentinha há uma torcida grande para se fechar essa chapa Silval-Mauro Mendes. A imprensa desta quarta, a propósito, também destacou entrevista com o deputado federal Eliene Lima (PP) afirmando que tem certeza que Mendes será o vice da chapa da situação. Mas, o primeiro a lançar a idéia, justiça seja feita, foi o vitalício líder da juventude peemedebista Totó Parente. De vez em quando ele dá uma dentro, especialmente quando os interesses pessoais o libertam para pensar politicamente.

Apesar de o período atual ser o mais fértil para todo tipo de ilação, conjectura e lucubrações, vai se desenhando um cenário com apenas dois candidatos ao governo, ou pelo menos bastante polarizada entre dois principais, ainda que haja outros. E esses candidatos, ao que tudo indica, sairão de três nomes: Silval Barbosa, Wilson Santos ou Jayme Campos. Não se vislumbra um fato novo fora desse cenário. Mauro Mendes é uma novidade política e das boas. Mas, como dizia Dante de Oliveira (ou seria o próprio Wilson, a memória já começa a me trair) política tem fila. E ele ainda terá muitas oportunidades pela frente. Mas, tem que descer do pedestal primeiro, tomar um banho de humildade, formar um grupo político mais consistente e ter um planejamento de médio a longo prazos. E grupo político se forma com lealdade, acima de outros inúmeros ingredientes. Retribuir, em 2010, os apoios que recebeu em 2008 é um bom começo.

(*) KLEBER LIMA é jornalista e consultor de marketing em Mato Grosso. E-mail: kleberlima@terra.com.br.



Autor

Kleber Lima

KLEBER LIMA é jornalista e secretário de Comunicação da Prefeitura de Cuiabá

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