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Opinião
Terça - 26 de Janeiro de 2010 às 22:33
Por: Lourembergue Alves

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 No último domingo, o jornal A Gazeta trouxe uma entrevista com o Secretário-chefe da Casa Civil. Oportunidade valiosa e interessante. Até mesmo para o (e) leitor, cujo papel principal é o de avaliar as ações do governo. Nesse sentido, são relevantes as palavras ditas por um dos mais próximos auxiliares do governador, que, em síntese, afirmou: “... o mais importante desta gestão foi deixar o planejamento” para as duas décadas seguintes, além do mais “as mudanças” acontecem “nas mais diversas áreas”, “na educação”, “na segurança pública” e no “meio ambiente”; restando a população escolher se quer ou não “dar continuidade disso”. 

 Contudo, é preciso dizer, esperava-se bem mais do referido entrevistado. Sobretudo pela sua proximidade com o gabinete da chefia do executivo regional. Ao invés disso, ele se valeu de frases prontas, adquiridas às pressas em quaisquer lojas de bugigangas. Talvez, por sua preocupação demasiada com a disputa eleitoral, que já bate à porta. Particularmente no que tange as candidaturas de quem, hoje, exercem os cargos de governador e de vice-governador. 

 Situação que o torna, bem mais, um propagandista desses candidatos, que propriamente alguém disposto a realizar um balanço dos erros e acertos da atual administração estadual. Por isso, ele falou todo tempo em avanços. Embora o emprego desse verbo estivesse em desacordo com o tempo empregado, e, principalmente, dissociado de seus sujeitos. Pois nada existe, de concreto, que confirme avanço algum na educação, meio ambiente e segurança pública, nos últimos sete anos, em Mato Grosso. 

 O que se tem, de fato, nesses setores, é um quadro totalmente desassistido. Muito aquém do que recebera o então gestor. Daí o crescente índice da violência, agravada com o fim das organizações que havia no interior das polícias civil e militar. Substituídas que foram pelo CISC. Idéia boa, porém desacompanhada de qualquer planejamento. 

 Planejar, certamente é outro verbo não conjugado por esse governo. Talvez, porque na matéria de conjugação, seus membros tenham matado aula. Trocado-a por quaisquer brincadeiras de pari-gatos. E olhe que foi em um tempo em que professores interinos e as faxineiras, também interinas, não eram dispensados antes do término do ano letivo. 

 Diferentemente do agora, onde o desmatar é confundido com o preservar. Mesmo que se tenha que esconder os números do derrubado. Para não ser punido pelas mãos que manipulam o mercado internacional, de quem o Estado mato-grossense é bastante dependente. 

 Nesse jogo de faz-de-conta, o discurso governamental deixa de tratar sobre as realidades da região para se fazer só verbal. O que leva o dito secretário a esquecer da saúde. Não o das palavras, e mais precisamente dos verbos desaprendidos pelo governo. Mas o daquela sentida pela falta de uma estrutura hospitalar pública estadual na Capital. O que obriga os pacientes, oriundos do interior, a se acomodarem como podem no Pronto Socorro da Capital; enquanto o governador, a exemplo de Pilatos em momento diferenciado, lava suas mãos. 

 Assim, causa estranheza à defesa a continuidade. Quando o mais seguro seria a opção por projetos alternativos de administrar. Mas onde encontrá-los? No gabinete do vice-governador? No palanque da oposição? Questões importantes. As respostas que se têm a elas, no entanto, fazem com que o (e) leitor fique mais desanimado.

Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br.   


Autor

Lourembergue Alves

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e articulista

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