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Opinião
Segunda - 24 de Fevereiro de 2014 às 10:22
Por: Lourembergue Alves

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A vitória eleitoral se dá sempre por um conjunto de fatores. Muitos especialistas, no entanto, preferem atribuir apenas a uma única causa à eleição de um dado político para a chefia do Executivo. A tal causa está geralmente ligada à pessoa do vencedor, até com vistas à personificação do próprio feito eleitoral – herança antiga. Justifica-se, então, a ação heroica do “progressista” contra os “conservadores”, do “novo” contra os atores “tradicionais” da terra. É, aliás, ao som dessa última toada, que a eleição do Blairo Maggi, a de 2002, é contada. 

A história do “novo”, durante toda a campanha, foi embalada pelo jingle “tá na palma da mão, tá na mão de quem sabe”, diariamente seguida por promessas – a exemplo do acabar com os impostos da energia e da telefonia - que jamais foram cumpridas. Certeza só se tinha com relação à dita mensagem musicada que, logo, caiu no gosto da população. 

Isso, porém, não explica a referida vitória político-eleitoral. Nem mesmo acompanhada do fato de que havia um desgaste dos nomes tradicionais, cuja derrota para o “novo” – dizem - poderia ter acontecido em 1998, caso o Dante de Oliveira não saísse à reeleição. Frase fantasiosa, rica em “achismo”, sem qualquer sustentação. 

"Tanto que eles, sequer, conseguiram indicar um candidato com possibilidade real de vitória; enquanto a sigla do governador (PSDB), que contava com candidatura"

Aquela vitória do Blairo, na verdade, foi facilitada pela desarticulação dos partidos políticos com maior expressividade eleitoral, como o PFL, PMDB e o PPB. Estes se encontravam distanciados um dos outros e, pior ainda, divididos internamente. Tanto que eles, sequer, conseguiram indicar um candidato com possibilidade real de vitória; enquanto a sigla do governador (PSDB), que contava com candidatura, se apresentava toda desarticulada, ainda que contasse com 55 prefeituras.

Desarticulação iniciada com a quebra dos acordos envolvendo suas principais lideranças, em especial ao que se referia a indicação do nome a vice na chapa do Roberto França, então candidato a reeleição a prefeitura da Capital (2000). Desentendimento que se acirrou com as negociações em torno da candidatura ao governo do Estado. 

Situação que levou os dissidentes do PSDB a se filiarem no PPS. Partido autodeclarado de esquerda e sem maiores tradições políticas, embora tenha conquistado 21 prefeituras em 2000, e, para a disputa ao governo regional, consegue capitanear um leque de alianças com as siglas de diferentes matizes ideológicas (PPB, PTN, PSC, PFL, PAN, PSD, PRP, PSC, PSDC, PRTB, PV). Blairo Maggi era o candidato desta aliança, e eleito com o apoio de grandes nomes da política, tais como o prefeito cuiabano, os irmãos Campos, os Palma, Jonas Pinheiro, Sucena, Osvaldo Sobrinho, Percival Muniz, etc.

O “novo grupo” – nascido do cenário econômico da região, ligado ao agronegócio -, então, se fortaleceu com o ingresso da maior parte das forças tradicionais. Foram estas, e não “os novos”, mesmo com dinheiro, que atraíram grande quantidade de votos, em especial do Vale do Cuiabá, para as urnas do Blairo. Desfaz-se, claro, toda a imagem fantasiosa até agora criada e contada em prosa e verso.



Autor

Lourembergue Alves

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e articulista

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