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Opinião
Sábado - 27 de Setembro de 2014 às 12:36
Por: João Edsom

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As eleições deste ano para o Governo do Estado vêm deixando um rastro cheio de armadilhas muito grandes para o que for eleito.

A necessidade da vitória somada às velhas artimanhas da política e dos políticos brasileiros junto com a judicialização exagerada do embate público poderá fazer do próximo gestor uma vítima da própria circunstância da vitória.

O primeiro fator é o descontentamento dos candidatos a proporcional. Tanto os postulantes a deputados estaduais quanto aos federais estão, em sua grande maioria, se sentindo desprezados pelas suas coligações.

Esta tem sido uma eleição sem unidade interna, motivada pela falta de organização, falta de dinheiro, falta de apoio político e até mesmo empenho de seus próprios partidos.

Em função disto houve muita desistência no pós-convenção e os que permaneceram na disputa com alguma chance de vitória estão, na maioria, carregando a campanha nas próprias costas.

Depois, vão exigir independência ou o pagamento da conta e deverão exercer pressão sobre o eleito, principalmente no primeiro ano de gestão. "Esta tem sido uma eleição sem unidade interna, motivada pela falta de organização, falta de dinheiro, falta de apoio político e até mesmo empenho de seus próprios partidos. "

Isso por um lado traz um interessante aspecto e é possível que independente dos eleitos tenha, após anos seguidos de calmaria, a volta de uma Assembleia Legislativa extremamente conflitante.

Fator este que pode tirar a paz do Executivo estadual, levando ao enfrentamento com o Legislativo.

O segundo fator são os apoios que os candidatos vêm recebendo durante suas campanhas, seja governista ou oposição; estão ombreados com gente que já tem poder e gente que quer mais poder. Irão querer governar junto como parte do processo e isso não dá certo.

Só lembrarmos o primeiro ano do Governo Silval: muita gente remanescente do gestor anterior. Um desastre! Por isso penso que tem muita gente achando que comprou o próximo governo, mas não vai levar a mercadoria. Vão ficar muito bravos.

O terceiro fator é a judicialização das campanhas. Estes processos gerados por um alto índice de denuncismo nestes últimos dias terão que em algum momento ir a julgamento.

Podemos ter uma insegurança administrativa gerada por uma gestão sob a condição de liminares, o que não contribui em nada com a progressão das obras do estado e soluções prometidas para causas importantes.

Estes fatores contribuem para que a disputa não termine no primeiro ou no segundo turno das eleições. Poderemos ter outros rounds nos tribunais mesmo com o mandato já em curso.

Esta briga anunciada poderá começar logo após o eleito começar o processo de transição e montagem da equipe de trabalho.

Logo podemos afirmar que o próximo gestor não terá vida fácil nem dentro do grupo que o elegeu muito menos no embate com Assembleia Legislativa ou com Judiciário.



Autor

João Edsom

JOÃO EDISOM é professor universitário e cientista político

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