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Opinião
Sexta - 10 de Outubro de 2014 às 11:00
Por: Kleber Lima

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Muitas leituras se podem tirar do resultado da apuração dos votos digitados nas urnas deste ano. Algumas delas necessárias e até imprescindíveis, enquanto outras nem tanto.

E mesmo nestas, também, é possível se extrair dados relevantes. Tanto que, se juntado aos tirados daquelas, se tem um entendimento melhor do todo.

É isso o objetivo maior da discussão em torno das eleições, em especial para o estudioso do jogo político-eleitoral.

Nesse sentido, cabe elencar três pontos secundários, mas de importância vital para a compreensão do conjunto.

O primeiro deles diz respeito ao enfraquecimento do PT/MT. Partido que já contou, em uma mesma legislatura, com representantes na Assembleia Legislativa, na Câmara Federal e no Senado.

Porém, a partir do ano que vem, só contará com um deputado federal, ao mesmo tempo em que a sua maior liderança regional sai da disputa pelo governo bastante chamuscado.

O segundo ponto se refere à baixíssima representação feminina. Há muito, aliás, o Estado não tem uma mulher no Congresso Nacional. Na eleição deste ano, as mulheres ficaram apenas com uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Ainda que tivessem 92 candidatas, ao passo que para a Câmara Federal, elas se viram representar por 32. Resultado, no dizer de uma missivista, do pouco preparo delas para a disputa.

Somado, evidentemente, ao quase despercebido espaço que lhes é destinado no interior do partido, cujo ambiente - coronelístico e personalista - só beneficia a esposa, filha e uma ou outra apadrinhada de um coronel.

Quadro revelador. Revela a exclusão de muitas. O que denuncia a falta de igualdade entre os participantes do jogo, ou dos que deveriam participar dele. E isso compromete a pluralidade - tão necessária, além de ser exigência da própria democracia.

Esta não é só, mas também se fortalece com o processo de escolhas. E o único, infelizmente, utilizado no país é a eleição. A mesma que permite o aparecimento de novas fotografias, sem a mudança de comportamento devida, e a consolidação de fotos antigas, entre as quais a que, há muito, tinha deixado o álbum do Legislativo regional. Não sem antes ter levado um susto.

Pois os desgastes de sua gestão à frente da prefeitura foram levados pelo eleitor para a cabine de votação, daí o baixo número de votos recebido, e, mesmo assim, assegurou-lhe a conquista de uma cadeira.

As urnas, por outro lado, foram generosas para com o PSDB. Eis, aqui, o terceiro ponto. Além de repetir a vitória tucana sobre a petista na disputa presidencial, o partido manteve sua cadeira na Câmara Federal e subiu para três deputados estaduais.

Horizontes, então, se abrem. Depois de um tempão de enfraquecimento crescente. Bem maior com o falecimento prematuro de sua maior estrela.

Fragilidade que se ampliou com a inexistência de outra expressão política capaz de impedir o seu degringolamento, e a busca por novos caminhos.

Assim, sem alternativas, a sigla optou por participar do grupo de oposição ao atual governo estadual.

E deu certo, ou sorte. Depende do ângulo de visão em que se encontra o analista. Igualmente se pode dizer deste com relação às leituras que se têm do resultado das urnas de 2014.

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e articulista político em Cuiabá.



Fonte: Mídia News

Autor

Kleber Lima

KLEBER LIMA é jornalista e secretário de Comunicação da Prefeitura de Cuiabá

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