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Opinião
Sábado - 31 de Janeiro de 2015 às 10:13
Por: Renato de Paiva Pereira

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A diferença entre pichação e grafite, segundo os entendidos, é que o primeiro é um ato de vandalismo e o segundo, uma manifestação artística.

Pichando ou grafitando propriedades particulares ou bens públicos, sem a necessária autorização, o “artista” está cometendo um ato de vandalismo e, portanto, sujeito às penas prevista na lei 9 605/98, que são prisão e multa.

A trincheira dos trabalhadores começou a semana com pichações de protesto, não reprimidas pela polícia.

Se o que está pintado lá é grafite ou pichação, embora eu ache que tem muito mais da segunda que do primeiro, não vem ao caso neste episódio.

O importante é que sendo um ou outro, dependeria de prévia autorização do órgão público responsável. "Creio que a polícia não foi autorizada a agir pela sacralização da palavra arte. Muitos tem medo dos “culturetes” que estão por aí prontos a desqualificar os que não gostam das coisas de que eles gostam"

A imprensa mostrou a cena de diversos pichadores/grafiteiros em franca atividade, observados pelos policiais inertes. Ninguém assumiu a responsabilidade de mandar os policiais interromperem o ato ilegal.

Creio que a polícia não foi autorizada a agir pela sacralização da palavra arte. Muitos tem medo dos “culturetes” que estão por aí prontos a desqualificar os que não gostam das coisas de que eles gostam.

Aliás, esses culturetes gostam mesmo é das coisas que as pessoas comuns não gostam, e nisso está o seu prazer.

Quem viu a sujeira que fizeram lá terá uma ideia do que acontecerá com nossos viadutos e trincheiras se as autoridades não resolverem a aplicar a lei reprimindo essa ilegalidade.

O Ministério Público deveria propor a condenação dos participantes, pedindo, no mínimo, a repintura da área detonada.

Ou será que o os promotores também temem a estridência dos “agitadores culturais” (será que é uma profissão?) e “culturetes”?

Se o poder público optar por apresentar ali trabalhos de grafite, o que poderia ser uma boa ideia, que o faça com critérios, delimitando espaços e selecionando os participantes, antecipadamente.

Claro que alguns vão dizer que qualquer um deve ter o direito de rabiscar onde quiser, mas isso é uma grande bobagem.

A arte está sujeita a tantas interpretações no tempo e no espaço que até o conceito que a define é variável, também no tempo e no espaço. Expressões que alguns têm por artísticas para outros não dizem nada.

Assim todos tem direito de expressar sua “arte” e escolher seus “artistas”. Direito de expressar não garante espaço para expressar.

O espaço precisa ser conquistado, obedecendo critérios. Se o poder público se omitir vira bagunça.

Que tal a Secretaria de Cultura apresentar os melhores grafiteiros do estado para uma escolha da sociedade?

O site da secretaria poderia mostrar trabalhos de cada um e a sociedade escolheria os que achasse melhores. Depois era só dividir os espaços e deixar a moçada trabalhar.



Fonte: Mídia News

Autor

Renato de Paiva Pereira
renato@hotelgranodara.com.br

RENATO DE PAIVA PEREIRA é empresário e escritor em Cuiabá

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