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Opinião
Quinta - 05 de Março de 2015 às 17:12
Por: Roberto Boaventura

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Às vezes, nada melhor do que o popular para traduzir bem o que pensamos e sentimos. Dessa forma, o título que dei a este artigo, por si, diz muito do quero falar nos parágrafos vindouros.

O título acima é composto por duas partes divididas por uma conjunção aditiva.

Da primeira, “A tosse da vaca”, podemos lembrar daquela expressão popular enunciada por Dilma Rousseff quando ainda estava em exercício de um estelionato eleitoral. Indagada se faria cortes nas áreas sociais, a resposta, à lá seu mentor político, veio na lata: “nem que a vaca tussa”.

Pobre vaca!

Em tão pouco tempo, já tossiu feito uma “vaca louca”. Ficou asmática. Pegou bronquite e pneumonia. Não escapou de nenhum malefício que possa ter origem em uma tosse. Aliás, a vaca parece que não para mais de tossir; e de tanto tossir, a vaca está indo pro brejo.

Em breve, poderemos ter uma vaca atolada na lama. Mas mesmo assim, como toda vaca, para onde ela vai, muitos bois vão atrás... Fidelidade bovina é isso aí: algo meio “carneiral”. "Hoje, as caras de tacho, principalmente dentro das universidades federais, espaço dominado e minado pelo PT, se dão por conta da constatação de mentiras políticas evidenciadas. "

Sem os detalhes, vejamos algumas das tosses da vaca: cortes e/ou redução de benefícios diretamente ligados aos trabalhadores, como, p. ex., mudanças no direito ao seguro-desemprego, abono salarial, pensão por morte e auxílio doença.

Só esse conjunto de medidas já levou às ruas um expressivo segmento das centrais sindicais. Por outro lado, a pelegada do momento optou por bater palma ao perigosíssimo discurso de Lula num ato em defesa (rsrsrs) da Petrobras, ocorrido na sede da ABI em 24/02/15.

Discurso perigoso porque o petista conclamou o “exército de Stédile” – integrantes do MST – para ir às ruas: “- Quero paz e democracia, mas também sabemos brigar, sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele nas ruas”. O velho Lula, que relembrava seu tempo de sindicalista, tentava amedrontar os adversários do governo que já planejam ocupar as ruas.

Mas indiferente a essa convocação acintosa de um líder esvaziado de conteúdo, embora ainda eloquente, a vaca continua a tossir, inclusive nas universidades federais: 30% de suas verbas foram contingenciadas.

Greves dos servidores já pipocam pelo país inteiro, como pipocam várias paralisações de trabalhadores terceirizados nas federais.

Detalhe: a pasta da Educação foi a mais atingida com um corte de 600 milhões por mês. Por isso, os programas eleitoreiros ProUni e Fies já estão sofrendo restrições.

Diante desse quadro de tosse de uma vaca nada sagrada, a segunda parte do título deste artigo – “as caras de tacho” – resgata uma expressão popular da língua portuguesa; significa “ficar sem graça”, ou então, ficar com cara de pateta. Em algumas partes do país, dir-se-ia ficar com cara de abestado.

Nesse sentido, como bem lembra um dicionário on-line, Chico Buarque – que, aliás, apostou na tosse da vaca – compôs lá pelos idos de 1976 o seguinte verso: "Tem mais é que ser bem cara de tacho, não ver a multidão sambar contente".

O verso acima pertence à canção "Corrente", do álbum "Meus Caros Amigos", e com certeza está se referindo à alguma postura política dos ditadores militares que estavam no poder à época.

Pois é. A cara de tacho dos militares se dava por conta da possibilidade de o povo vencer um período de tanta atrocidade produzida em nosso país.

Hoje, as caras de tacho, principalmente dentro das universidades federais, espaço dominado e minado pelo PT, se dão por conta da constatação de mentiras políticas evidenciadas.

O que farão esses caras de tacho nas universidades?

O que sempre fazem: boquinhas de siri.



Autor

Roberto Boaventura

ROBERTO BOAVENTURA  é doutor em jornalismo e professor de Literatura da  UFMT

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