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Opinião
Quarta - 08 de Março de 2017 às 09:38
Por: Janaina Riva

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O meu nome é Janaina Riva, tenho 28 anos, estou deputada estadual em Mato Grosso, mãe de dois filhos, namorada, filha e irmã. Mas o assunto que passo a abordar agora com vocês poderia muito bem ser falado com propriedade pela dona de casa Maria, lá do bairro Jardim América, em Juara, ou pela advogada Juliana, do CPA, em Cuiabá. O EMPODERAMENTO FEMININO CONTRA O MACHISMO é uma luta diária e é o mesmo para dentistas, advogadas, vereadoras, jornalistas, vendedoras, professoras ou qualquer outro caminho que nós mulheres escolhemos trilhar.

Somos vítimas diárias de uma corrente que insiste em nos desqualificar e em nos dizer repetidamente como não podemos agir, como não podemos ser, o que não podemos fazer, mas principalmente quem não podemos ser. Tudo isso unicamente por sermos mulheres. Mas eu estou aqui hoje com a intenção de encorajar cada uma de vocês a serem exatamente o que quiserem ser. Lugar de mulher é onde ela quer estar. O gênero Masculino ou Feminino nunca definiu a capacidade de ninguém.

Porém, mesmo com toda a nossa vontade de conquistarmos o mundo e de sermos iguais, a violência contra a mulher é algo secular, está impregnada na história do Brasil e de Mato Grosso, e ainda dificulta muito a nossa chegada ao mesmo patamar que os homens, em todos os sentidos. Por isso o empoderamento feminino se faz tão necessário, para que haja a consolidação dos nossos espaços já galgados e contra qualquer tipo de violência.

Apenas após muitas décadas de lutas e reivindicações, passamos a ter agendas políticas específicas em defesa da mulher. E de maneira geral, estamos num momento histórico onde existem conquistas político-jurídicas que visam proteger a mulher contra a violência doméstica.

Mas temos que partir do pressuposto que esse empoderamento feminino começa primeiramente com uma mudança ideológica e cultural de nós mesmas. Somos a maioria no Brasil e também em Mato Grosso, mas ainda temos menos representantes políticas nas Prefeituras, Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas, Câmara Federal e Senado.

A pergunta que fica é porque? Na minha visão é porque infelizmente o machismo não ocorre somente do homem para a mulher. Muitas mulheres foram educadas para ser e adotar comportamentos machistas. E o fazem de maneira cruel quando julgam uma vítima de violência ou estupro como 'culpadas' pelo que lhes ocorreu por conta do local onde estavam e da roupa que vestia. Quando julgam a liberdade sexual de outra mulher. Quando repetem com veemência que determinados comportamentos não são aceitáveis para mulher. Ou simplesmente quando dizem pro seus filhos que meninas tem que brincar apenas de boneca e casinha e os meninos do que quiserem.

Eu acredito, anseio e luto por essas mudanças conceituais. Educo a minha filha não para ser só a princesa, mas para ser a dona do castelo e tudo aquilo que ela sonhar. Educo o meu filho para respeitar as mulheres e suas escolhas. O empoderamento feminino passa por aí. Por uma consciência de que somos mais: Mais em números, mais do que nos disseram que poderíamos ser. Mas nossa força só passará a valer de fato se estivermos juntas, com uma consciência única de que quando não combatemos o machismo, o futuro de nossas meninas continuará sendo roubado delas.

E eu digo isso por que ninguém sofre mais com as consequências da pobreza do que as crianças do sexo feminino. Muitas têm que abandonar o estudo, casam-se ainda crianças, correndo o risco de gravidez precoce, e ainda são as principais vitimas de abusos e da violência sexual. Setenta por cento das vítimas de estupro são crianças e adolescentes. A maioria, meninas.Por isso a importância de termos mulheres engajadas na vida pública e com a vontade trabalhar por políticas voltadas para a mulher.

Recentemente apresentei um projeto de lei que prevê o combate ao machismo e a conscientização sobre os direitos das mulheres nas escolas públicas.Outra de minha autoria que já foi sancionada, prevê atendimento multidisciplinar à mulheres e crianças vítimas de violência. Agora pensem comigo se houvesse mais mulheres no parlamento mato-grossense? A quantidade de avanços que já teríamos tido.

Como esse é um processo de médio a longo prazo, o mais importante, por agora, é permanecermos na luta para a manutenção dos direitos políticos e jurídicos conquistados; permanecer na luta para que as delegacias recebam as denúncias; permanecer na luta para que os agressores sejam punidos e presos; permanecer na luta para uma maior amplificação das ações das mulheres em todas as áreas da vida pública do país. Apenas assim, permanecendo na luta, o equilíbrio de forças estará garantido e, nossos direitos guarnecidos.

Feliz dia Das Mulheres

*Janaina Riva é deputada estadual pela estado de Mato Grosso.



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