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Opinião
Quinta - 23 de Março de 2017 às 12:01
Por: Vinicius de Carvalho Araújo

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Tivemos nesta semana a publicação da pesquisa realizada pelo instituto Mark Freitas medindo possíveis cenários para a sucessão estadual em 2018. Para Presidência da República os números apontaram em Mato Grosso resultados muito próximos do nacional, com Lula liderando do alto de seus 29,6% e Bolsonaro (12,2%) em empate técnico com Blairo Maggi (11,6%).

Os resultados obtidos por Blairo não são animadores, já que esperava-se pelo menos a sua liderança junto aos eleitores mato-grossenses. Compreende-se, portanto, os comentários que lhe conferem uma melhor quotação para a posição de vice-presidente, pela liderança junto ao agronegócio, a capacidade de atrair as regiões centro oeste e sul e a condição de financiamento da campanha por este que é um dos setores mais capitalizados e globalizados da economia brasileira hoje.

Já a avaliação do Governo Pedro Taques quantifica o sentimento de desgaste que vem sendo comentado desde o ano passado. O ótimo e bom somou 22,9%, o regular 35,3% e o ruim/péssimo com 34,2%. É um quadro de final de gestão, quando o ocorre o que os especialistas chamam de X ou “boca de jacaré” no gráfico, no momento em que a linha do ruim/péssimo se cruza e fica mais alta do que a do bom/ótimo. Isto aconteceu a despeito do bom posicionamento de marketing que o Governo tem tido desde o começo de 2017.

Na maioria dos cenários estimulados o Governador oscila entre 20% e 30% das intenções de voto, caindo apenas na primeira lista

Os dados apontam para dificuldades num eventual projeto de reeleição, já que postula-se que cerca de 80% do eleitor que avalia o Governo como bom/ótimo tende a ser um público cativo do candidato incumbente. Por isto o número de 40% é considerado mágico, uma vez que dá ao candidato 32% de capital inicial e pelo menos o situa no segundo turno, com grande potencial para atração de indecisos.

Aqueles com avaliação superior a 40% têm reeleições mais tranquilas. Por esta métrica o Governador teria garantido hoje em torno de 18,4%, o que lhe coloca no páreo pela inexistência de adversários fortes, mas lhe deixa em posição vulnerável.

Na maioria dos cenários estimulados o Governador oscila entre 20% e 30% das intenções de voto, caindo apenas na primeira lista. Ela é mais saturada e conta com 10 candidatos, entre eles o líder Blairo Maggi e o ex-prefeito de Cuiabá Mauro Mendes. Estes são os nomes que mais o ameaçam no confronto direto. Com os demais a distância fica maior, como o é o caso do Senador Wellington Fagundes ou o ex-Governador Jaime Campos. A pesquisa mediu o nível de rejeição do Governador, que é o maior entre os possíveis candidatos (19%).

Mas também vale a ressalva de que em 2014 ele foi eleito com 38% dos votos totais, dado o elevado nível de ABN (abstenção, branco e nulo). Como este quadro tende a se agravar em 2018, existe a possibilidade real de algum candidato ser eleito com um terço ou pouco mais dos votos turno, a exemplo do que ocorreu com João Dória em São Paulo e Crivella, eleitos com 34%.

De forma geral a pesquisa mediu com precisão aquilo que corre nas conversas sobre política. O cenário para 2018 está aberto, tanto em nível estadual quanto federal. A tarefa da oposição no Estado é ocupar o espaço político hoje disponível por meio de uma ou até duas chapas que possam aglutinar forças e dificultar o trabalho do grupo hoje no poder. O voto ABN passa de 50% e beira 60% em algumas listas.Ele é o “santo graal” das pesquisas qualitativas hoje. O político convencional ou outsider que compreender este eleitor desconfiado levará imensa vantagem.

Vinicius de Carvalho Araújo é analista político.

www.analisepoliticamt.com.br

@vcanalise



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