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Opinião
Terça - 28 de Março de 2017 às 10:13
Por: Olga Borges Lustosa

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Não devemos ficar surpresos com as pautas que avançam na mídia, sem comprometimento algum com a verdade. A atmosfera de suspeita e insegurança criada pela disseminação de notícias exageradas ou falsas proporciona o ambiente perfeito para a estupenda atrapalhada de comunicação que envolveu a operação “Carne Fraca”.

Senti-me incomodada com tanta desinformação que prestei-me ao serviço de reproduzir explicações sérias sobre o assunto.

Pois bem, domingo passado fui visitar minha mãe e como sempre faço, levei-lhe o agrado domingueiro: comida pronta. Incrédula, ela não se conteve: “não acredito que depois de tudo o que falaram na televisão, você trouxe-me carne assada.”

Sim, lá estava eu, desajeitada, tentando passar-lhe às mãos o produto que a televisão havia endemoniado dias atrás. Como pude esquecer de esclarecer para minha mãe que a televisão não lhe contou a verdade, que diminuiu aqui, aumentou ali e acabou descaracterizando toda a história no sentido de torná-la possível de ser seguida, compreendida e reparada por uma senhora de 80 anos!

A ideia central dos noticiários é oferecer realmente pouca contribuição para o entendimento amplo de um tema. Sem imaginação, primeiro reproduzem os fatos, depois avaliam o estrago feito na economia, na vida e na mente de quem depende da notícia dita por inteiro para entender os acontecimentos.

A má informação no caso da minha mãe teve limite, ficou restrita a televisão. Em outras mídias, os absurdos sobre a carne pareciam insondáveis, porque a internet está cheia de notícias propositadamente confusas para gerar mal entendido e propagar reticências.

A mídia anda com mania de falsear as coisas até quando o tema é demasiadamente sério e complexo, como a reforma da previdência, que é necessária, tem que ser enfrentada mais dia menos dia, mas daí a propagar que é uma reforma que gera renda, que não suprime direitos trabalhistas, que não é uma crueldade com os trabalhadores rurais, sinceramente!

As perdas foram quase desenhadas pela ministra do Tribunal Superior do Trabalho, Dalaíde Arantes numa entrevista. Mas a imprensa não facilita a leitura. É difícil para a grande massa que recebe informação, processá-la criticamente e utiliza-la em seu favor.

Do ponto de vista de uma forma de civilização que prima pela informação, que deveria ser segura e rápida, não é bom deixar tantos rabos para trás com notícias falsas, mal ajambradas e inconsequentemente espalhadas no universo on-line,viral e volátil.

A preocupação com as notícias falsas mereceu investimento do Google, que criou um recurso que pode verificar a veracidade do que se noticia na internet e já está disponível no Brasil. Mas o paralelo, que seria o desmentido, ou correção da informação não vem com a mesma veemência, nem velocidade.

O Willian Bonner, que entrou na casa da minha mãe para dizer que havia papelão misturado à carne do frango, não voltou lá para esclarecer que falavam de embalagens. Ela confiava tanto nele!

Olga Borges Lustosa é socióloga, cerimonialista pública e escreve exclusivamente neste Blog toda terça-feira - olgaborgeslustosa@gmail.com e www.olgalustosa.com



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