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Opinião
Sexta - 07 de Abril de 2017 às 07:11
Por: Alfredo da Mota Menezes

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Na confissão de Geraldo Riva sobre pagamentos paralelos a deputados na Assembleia Legislativa dois itens chamam atenção.

Disse que, a partir de certo momento, a distribuição do chamado mensalinho era decidida no Colegiado. Ali supostamente é o lugar em que os líderes dos partidos discutem pautas e andamentos dos assuntos maiores da Assembleia.

Se verdade, é difícil alguém alegar que não sabia daqueles pagamentos. Nem mesmo os que, segundo o Riva, não receberam. Não é possível que o Colegiado discutisse pautas administrativas e políticas com todos os presentes, deixava líderes de alguns partidos saírem da sala para, a partir dessa suposta ausência, discutirem com os mais chegados da casa a distribuição daquele dinheiro extra para deputados.

Outra coisa que o Riva vem afirmando que tem documentos que provam aqueles pagamentos. Ou mostra os documentos ou sua denúncia não vai valer quase nada. Uma delação premiada do Riva no futuro deve estar associada a provas e ele diz que as tem.Se mostrar, provoca uma hecatombe política.

Faz tempo que se comenta em Cuiabá que parlamentares de diferentes e antigas legislaturas recebiam algum tipo de ajuda extra além do salário. Uma maneira do Executivo ter maioria no parlamento estadual.

Tem deputado que "culpa" o eleitor por isso. Alegam que têm que ter recursos extras, além do salário, para atender pedidos de eleitores, como medicamentos, passagens, auxílios para funeral.

Deputados montavam em Cuiabá a chamada Casa de Retaguarda. Traziam doentes do interior, alojavam ali com acompanhantes e davam comida também. Para isso, alegavam, precisavam daquele complemento. Com dinheiro do contribuinte, ao fazer aquilo, estavam já trabalhando sua campanha futura.

No depoimento do Riva apareceu também a denúncia de que se comprou uma vaga no TCE. As pessoas citadas desmentem o denunciante, claro. Mas apenas para lembrar como se inventam estórias para certas situações e a maioria das pessoas as aceitam.

Lembram que o Alencar Soares dizia que ia deixar o TCE porque seria candidato a prefeito de Barra do Garças pelo PSD, partido que o Riva comandava na época? E todos aceitam argumentos estranhos como aquele. A verdade era outra.

A denúncia do Riva sobre esse caso específico e ainda a citação de que os três deputados que disputam uma futura vaga no TCE receberam o mensalinho, acabou respingando naquela corte de contas.

Isso associado ao que vem ocorrendo no Tribunal de Contas do Rio e o trabalho publicado pela Ong Transparência Brasil sobre fatos e atos não republicanos ocorridos nos Tribunais de Contas pelo país,o momento não é bom para a imagem dos TCEs.

De volta ao Riva. Ao resolver denunciar, ele quer se safar de longa prisão. Se tiver provas concretas, para uma delação premiada nos diferentes casos que está envolvido, a coisa empretece na política estadual. Se não tiver, o caminho é a cadeia mesmo.

Alfredo da Mota Menezes escreve às quintas-feiras em A Gazeta. E-mail: pox@terra.com.br site: www.alfredomenezes.com



Autor

Alfredo da Mota Menezes

ALFREDO DA MOTA MENEZES é historiador e articulista político

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