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Opinião
Quarta - 09 de Maio de 2012 às 18:11
Por: Dirceu Cardoso Gonçalves

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A Amazônia sofre com a cheia. O Nordeste enfrenta a seca inclemente. São noticias recorrentes. Desde os tempos de criança – e isso já vai há um bom tempo – ouvimos falar dos dois fenômenos. Também tornaram-se habituais as malditas promessas eleitorais e, durante um bom tempo, as campanhas de arrecadação de donativos para os flagelados, que nem sempre chegavam aos destinatários. Vimos, por exemplo, a febre da perfuração de poços no Nordeste, cujos recursos foram desviados para propriedades de políticos e poderosos, e todo o esquema da chamada indústria da seca, meio de vida de espertalhões em função do sofrimento do povo. Hoje temos as polêmicas e as obras atrasadas da transposição de águas do Rio São Francisco, onde já se enterrou muito dinheiro público e há o risco de não cumprir plenamente a finalidade.

Agora, colocado como uma das principais economias do mundo, o Brasil não tem mais o direito de negligenciar no trato dos problemas que afligem sua população. Os fenômenos das cheias e da seca são plenamente previsíveis. O ideal seria levar a água que sobre num lugar para os pontos onde ela falta, mas isso, apesar da engenharia de ponta de que dispomos, pelo menos até o momento, é uma utopia. Mas não é utópico pensar que os governos e a sociedade podem adotar medidas de prevenção e proteção à população e à atividade econômica nas áreas sinistráveis. Tanto na Amazônia e no Nordeste quanto nas grandes e médias cidades, onde milhares de pessoas habitam áreas de encostas, várzea, lixeiras e outros pontos perigosos e insalubres. Um país de economia potente, desenvolvido, detentor e até exportador de tecnologia, não pode continuar matando seus habitantes dessa forma.

Os poderes públicos, negligentes no passado, têm o dever de desenvolver programas eficientes para realocar a população e a atividade econômica existente em várzeas e pontos sujeitos a desabamentos. Mas, lamentavelmente, temos visto as mesmas vítimas “perderem tudo” ano após ano. Na região serrana do Rio de Janeiro, ocorreu pior: além da falta de providências para o socorro às populações atingidas, houve casos de corrupção que as autoridades hoje apuram. É muita incompetência e desumanidade.

Para os flagelados, de nada adianta o país ser a sexta economia do mundo e possuir centros de excelência na tecnologia e em outras áreas, se tudo isso não beneficiá-los de alguma forma. As diferentes “bolsas” tem diminuído a fome nos grotões de miséria, mas não podem ser permanentes. Há que se encontrar meios para essa população assistida se inserir no mercado e ter vida própria e digna. Da mesma forma, o Poder Público é o grande responsável pelas catástrofes que se abatem sobre a população em decorrência da ocupação ou uso irregular do solo. É sua obrigação adotar providências preventivas para evitar que esse povo desvalido e marginalizado continue sofrendo e morrendo cada dia um pouco só pelo temor da próxima chuva, ou pela falta absoluta de água...


Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

aspomilpm@terra.com.br  



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