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Opinião
Domingo - 29 de Abril de 2012 às 22:15
Por: Lourembergue Alves

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“Rixas pessoais movimentam o tablado da política em vários municípios mato-grossenses”. Resumia-se nesta frase o conteúdo do e-mail que chegou a esta coluna. Seu autor não deixava qualquer dúvida quanto a isso. Nem deveria. Pois os fatos, entrelaçados as jogadas das lideranças partidárias, formam um único cenário, cujos traçados denunciam a existência de velhas desavenças.

 Tão fortes que parecem estar na década de 1950, quando o PSD, UDN e PTB disputavam o poder de mando em Cuiabá. Disputas em meio às quais se misturavam brigas pessoais entre os partidários e os opositores aos Muller. Os partidos da época, portanto, eram extensões da arena pessoal. Quadro que se repetia em Poxoréu, com “os Rochinhas” e seus adversários particulares se “pegando” nas campanhas eleitorais, a ponto de dois ou mais deles evitarem se cruzar nas vias públicas. Estampas fotográficas registradas em uma ou outra região mato-grossense, porém em menor frequência, e não com a mesma rivalidade. 

Rivalidades também presenciadas no presente. Parecem ter sido transpostas – como a um passe de mágica - do túnel pretérito para o do hoje. Felizmente sem a violência do passado. Agora em Rondonópolis, Sinop e Cáceres. No primeiro, dois ex-prefeitos revivem desavenças recentes. Iniciadas no interior do PPS, e prolongadas quando um deles acompanhou o governador da época, em uma migração para o PR e, neste ano, desembarcou no PDT, depois de ter passado certo tempo sem partido; enquanto o seu desafeto pessoal sonhava trocar a cadeira do Parlamento pela poltrona de prefeito. Sonho, entretanto, somente possível de ser realizado com uma forte aliança política. Até porque o PMDB continua no páreo, e bastante forte – a despeito de ter se sentido meio combalido com a desastrada administração do município, e quase nocauteado com o processo de cassação do prefeito, apesar de tudo “seria” seu mais forte nome para a disputa eleitoral deste ano.

Cenas que se misturam com o bate-boca dos ditos ex-prefeitos. Ambos protagonizam um triste espetáculo, inadequado para o que representam a política municipal, cujo palco não poderia ser outro senão a mídia – respiradouro de maus-humores. O pedetista Adilton Sachetti se recusa estar “ao lado do presidente do PPS na campanha à prefeitura de Rondonópolis, nem mesmo se o PDT o apoiar”; enquanto do outro lado, imediatamente depois, reage Percival Muniz: “Ele não tem voto nem para ele mesmo, porque” alguém vai “querer seu apoio”, e, pior, está “quebrado financeiramente”. Palavras duras. Atingiram em cheio o Sachetti, o qual chegou a confessar a amigos não tolerar “ser agredido dessa forma”, ainda mais por quem se vale de “baixarias”.

Os ataques são pessoais. Nada tem a ver com a discussão de soluções aos problemas que deixam a mercê a antiga “Rainha do Algodão”. Isso é ruim. Bem mais quando o eleitorado percebe que o jogo político foi todo personalizado. Pessoas são colocadas umas contra as outras. Não suas idéias, tampouco o que elas pensam a respeito do atual retrato da cidade. 
 
Retrato mais desfigurado com esse bate-boca desnecessário. Ainda que se queira supervalorizar a importância política de um, em detrimento da do outro. Pois o que se sabe é que cada um deles, apesar da desunião, faz parte de um projeto – iniciado lá com a eleição de Blairo Maggi ao governo estadual – derrotado na eleição rondonopolitana de 2008 (Continua no próximo artigo).     

Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br


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