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Opinião
Sábado - 16 de Setembro de 2017 às 08:51
Por: Jairo Pitolé Sant"Ana

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Óbvio que não se pode prejulgar ninguém, melhor aguardar a apuração dos fatos, que, espera-se, seja imparcial (embora nem sempre, como se sabe), antes de qualquer juízo de valor. Em entrevista ao espanhol El País no início desta semana, o escritor e ex-assessor especial de Lula na Presidência da República, Frei Betto, que esteve preso durante a ditadura militar, alertou. "Vi muitos companheiros de prisão que, sob tortura física ou psicológica, declararem o que nossos algozes queriam ouvir".

Seu comentário teve como parâmetro a delação do ex-ministro Antônio Palocci envolvendo o ex-presidente Lula. Palavras dele: "Palocci se encontra em situação de profundo sofrimento como encarcerado. Estive preso quatro anos e sei que não é fácil para uma pessoa que, como ele, desfrutava de uma vida de luxos e mordomias, suportar a reclusão carcerária. Portanto, ele está disposto a tudo para ver sua pena reduzida e obter prisão domiciliar. Isso compromete a credibilidade do que declara".

Como exemplo, ele citou a delação do ex-senador petista Delcídio Amaral envolvendo Lula. "A Justiça apurou que ele mentiu,", disse.

O que é válido para Palocci é válido para todas as outras delações, incluída a do ex-governador Silval Barbosa, envolvendo uma série de figurões da política mato-grossense, a começar pelo seu antecessor, o atual ministro da Agricultura Blairo Maggi, deputados federais e estaduais, prefeitos e até conselheiros do Tribunal de Contas do Estado.

Cabe à Justiça o cumprimento de seu papel investigativo e à sociedade o de fiscalizador. Evitar a seletividade e fazer com que o mesmo pau que, por ventura, bata em Chico, bata também em Francisco.

É extremamente desagradável e vergonhoso que o Brasil continue sendo visto como uma grande República das Bananas um bananão, como era chamado pelo falecido Ivan Lessa, que cunhou essa expressão ainda na época do Pasquim e continuou a usá-la como colunista da BBC Brasil.

Por enquanto, infelizmente, o país ainda é merecedor deste título. Um levantamento do site Congresso em Foco, de 2015, é mais um retrato desta situação de 500 parlamentares investigados desde 1988, apenas 16 foram condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

O mais difícil mesmo é explicar para um alemão, por exemplo, como são escolhidos os conselheiros de tribunais de contas e ministros do Supremo e desembargadores. Ao saber que são escolhidos por governadores e parlamentares, arregalam os olhos e lançam a pergunta: "Mas como alguém pode fiscalizar ou julgar quem o indicou?".

Jairo Pitolé Sant"Ana é jornalista em Cuiabá. Contato: coxipoassessoria@gmail.com



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