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Opinião
Sexta - 20 de Outubro de 2017 às 09:14
Por: Juacy da Silva

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Há alguns dias li um artigo em que o autor tecia elogios rasgados à democracia brasileira e, ao mesmo tempo, condenava de forma clara a ditadura, representada pelos governos militares que, durante duas décadas, estiveram presentes em nosso país. Em um outro artigo, um outro autor falava da falta de planejamento, tanto em nível nacional quanto em Mato Grosso, e mencionava o impacto positivo que o programa Polocentro, implementado durante os governos militares, havia mudado os rumos do desenvolvimento de nosso Estado, da mesma forma que o Estado de Rondônia.

Ambos os autores, sempre que podem, não se cansam de destacar os aspectos repressivos dos governos militares, pouco dizendo sobre os avanços em termos de desenvolvimento que ocorreram durante aquelas duas décadas, cujos impactos possibilitaram ao Brasil dar alguns saltos qualitativos em termos de crescimento do PIB e modernização da infraestrutura e outros setores, inclusive os avanços em direção ao Centro-Oeste e Amazônia.

Com certeza, em sã consciência, ninguém pode deixar de destacar a importância da democracia para a vida de um país e de um povo. Todavia, também em sã consciência, não podemos deixar de registrar que vivemos em uma democracia de fachada, uma democracia marcada pela demagogia de uma classe política corrupta e ávida por favores que emanam do poder e suas entranhas, uma democracia do compadresco, do fisiologismo, do oportunismo, dos privilégios para uma minoria em detrimento da imensa maioria do povo brasileiro que continua sendo espoliado, enganado e manipulado pelos donos do poder, incluindo os grandes grupos empresariais, no meio dos quais vicejam a corrupção e as negociatas quando se trata das relações público x privado.

Por esta razão, ainda vemos inúmeros políticos e empresários que outrora se beneficiaram e apoiaram os governos militares, cujo símbolo maior são o ex-presidente Sarney que foi, por muitos anos, o presidente do PDS, partido que apoiava e dizia amém para tudo o que os militares faziam ou deixavam de fazer. Outro político também símbolo daquela época é o ex-governador de SP, Paulo Maluf que, por pouco, não chegou à presidência da República. Um terceiro que também merece referência é Delfim Neto, ministro por duas vezes dos governos militares e responsável pela política econômica e também dos arrochos na classe trabalhadora.

Esses políticos e outros mais espalhados por diversos estados, inclusive MT, cujas histórias e estórias todos bem conhecem, passaram de apoiadores da ditadura ou dos governos militares para democratas de carteirinha e apoiaram os governos Lula, Dilma e atualmente o governo Temer e são, ou foram, expoentes da vida política nacional e caciques de vários partidos que, atualmente, têm dezenas de dirigentes investigados, condenados ou presos por corrupção, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e outros crimes de colarinho branco.

A corrupção e a impunidade estão vencendo a ética, o respeito pelos direitos do povo, a transparência e a eficiência institucional. Prova disso tem sido as prisões de vários ex-governadores, exemplo de MT e Rio de Janeiro, diversos secretários e ex-secretários de estados, ex-parlamentares estaduais e federais, afastamento de quase todos os integrantes dos Tribunais de Contas do Rio de Janeiro e de MT, diversos grandes empresários, inúmeros gestores públicos, prefeitos. De forma semelhante, causa espanto quando parlamentares, governadores são filmados recebendo dinheiro vivo na forma de propina, outros escondendo fortunas em barras de ouro, em malas e caixas, como aconteceu recentemente com Gedel, ex ministro e amigo do peito de Temer e cacique do PMDB.

Para arrematar, como podemos defender uma democracia em que ex presidentes ainda hoje são investigados por corrupção e o atual, juntamente com diversos de seus ministros, são alvos de investigação e só não são presos porque se escondem sob o manto do famigerado instituto do foro privilegiado, uma verdadeira excrescência jurídica que ajuda a proteger autoridades corruptas ou pelo espírito de corpo e muitos favores de parlamentares federais, que deverão impedir que a Justiça investigue o presidente pela segunda vez, por organização criminosa e obstrução da justiça?

Para muitos, os parlamentos representam um grande bastião e símbolo da democracia. Será que o Congresso Nacional, onde estão presentes tantos senadores e deputados federais que são investigados ou suspeitos de corrupção, representa a verdadeira democracia no Brasil?

Será que esta é a democracia com a qual sonha o povo brasileiro? Com certeza não. Todavia, como são os donos do poder, principalmente o Congresso Nacional que fazem as Leis , a impunidade e a corrupção estão ganhando esta batalha pela ética na política e na gestão pública brasileira.

Precisamos combater de forma mais efetiva e direta a corrupção, a impunidade e os privilégios e mutretas dos donos do poder, para que a democracia seja algo defensável perante os olhos do povo, caso contrário as vozes que defendem uma intervenção militar irão crescer muito em um futuro próximo.

Juacy da Silva, professor universitário, aposentado da UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de jornais, sites, blogs e outros veículos de comunicação. Twitter@profjuacy Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com



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