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Opinião
Terça - 27 de Fevereiro de 2018 às 16:28
Por: Eduardo Gomes de Andrade

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Pelo rádio sertanejo o município ganhou notoriedade nacional graças ao conteúdo da canção “Pé de Cedro” composta por Zacarias Mourão, o mato-grossense que queria ao morrer a sombra amiga daquela árvore sobre seu último repouso na cidade de Coxim. Há alguns anos foi a Coxim falar sobre o autor de Pé de Cedro e a árvore reverenciada em seus versos bonitos, simples, sinceros e nascidos do coração.

Conversei com velhos conhecidos de Zacarias Mourão. Ouvi comoventes relatos sobre a paixão de todos por Coxim, a cidade onde a rima do compositor despertou o sentimento de amor coletivo àquele torrão. Às vezes o exercício do jornalismo nos proporciona momentos assim, emocionantes e, no meu caso, apesar de minha limitação, até mesmo para lançar luzes sobre a história mais recente de nossa terra, pois quando da composição aquele município pantaneiro pertencia ao abençoado e ensolarado Mato Grosso.

Tudo na vida é cíclico. Nada resiste ao implacável relógio do tempo. Não há eternidade física para a mais sólida construção nem para o mais frágil dos homens. Claro que com a atividade profissional não seria diferente, nem poderia ser.

O jornalismo tem destacado papel na vida brasileira. Grandes profissionais sustentaram lutas em defesa de causas que fora do alcance da Imprensa não poderiam ser levadas adiante. O Brasil deve muito a jornalistas que pagaram nos tribunais e até mesmo com a vida por enfrentarem o poder e poderosos.

Caminhei pela contramão da regra da bajulação. Naveguei em águas revoltas. Respeitei todas as formas de expressão. Fui o mais discreto possível. Admito fracassos, mas sou insistente; se tivesse que percorrer o mesmo caminho o faria com serenidade porque sempre creio que é possível reverter situação e também por não temer derrota.

Digo que na minha longa militância tentei cumprir meu papel da melhor forma, dentro dos limites que nos são impostos pelas regras da vida; que lutei para que meus defeitos e fraquezas não maculassem minha linha editorial; e mesmo sendo analfabeto funcional busquei por todos os meios criar textos que fossem objetivos, claros e de fácil leitura.

Fecho a pasta dos artigos. Longe da genialidade de Zacarias Mourão em sua composição e sem inspiração para encontrar meu pé de cedro em algum lugar da curva do tempo, estendo a mão num gesto imaginário numa despedida coletiva aos leitores, aos quais agradeço pela deferência.

É a hora de buscar alternativa para sobreviver. É momento de tirar de letra o peso da idade, de superar os percalços da saúde; é o instante de sonhar, de acreditar, de lutar, de não se entregar em meio às adversidades naturais. É tempo de fé, de gratidão, de perdão e de perdoar – é paz no adeus.



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