Publicidade
Repórter News - reporternews.com.br
Opinião
Quarta - 05 de Dezembro de 2018 às 14:46
Por: Gisele Nascimento

    Imprimir


Sou advogada. Resolvi falar sobre o assunto após uma conversa com determinada pessoa que me fez a seguinte pergunta: “a tua atividade paga a si mesma”? Pergunta forte. Retorci-me na cadeira para lá e para cá e comecei a pensar. São anos de estudo para formar-se em direito, ser bacharel. Depois, mais alguns meses ou às vezes anos para passar na OAB.

Após esse ciclo já começa a ganhar dinheiro? Não. Salvo algumas exceções é claro. Outro dia um colega de profissão me disse: “advocacia é tempo”, ou seja, o resultado vem com o tempo. Deixando de lado as raras exceções de já começar a “ganhar dinheiro” assim que se forma, logo nos primeiros anos da profissão, que pode ter como ponte o aparato de um pai, ou amigo que seja da área jurídica e que já tenha um escritório pronto e te convide para integrar à equipe, todos os outros terão que ralar, e muito, para se destacar no mercado, formar a sua carteira de cliente, mas até que isso aconteça tem que “matar um leão por dia”.

É bem isso. Tenho 10 (dez) anos de formação, uns 7 (sete) de advocacia prática, e ainda estou na fase da construção. Não me envergonho de falar isso, muito pelo contrário, me orgulho, pois como já disse Sobral Pinto: A advocacia não é profissão pra covardes!

A luta é diária, o retorno é lento. O Poder Judiciário que é o nosso condutor, segue em marcha lenta, fato que contribui sobremaneira para o retardamento do progresso do advogado, principalmente para os iniciantes sem “eira nem beira”, como diz uma amiga, “sem pedigree”.

Todavia, a Constituição da República sem artigo 133 diz que o advogado é indispensável à Justiça. Pois muito bem. Esse preceito é verdadeiro. Embora consagrado na Carta Maior, com status constitucional, portanto, o que traz certo glamour para a profissão, mesmo assim, existe um grande degrau a ser escalado paulatinamente, dia após dia no exercício da advocacia.

Pensa que é fácil? Nem um pouco. Falo com conhecimento de causa. Mas o negócio é NÃO DESISTIR! É ACREDITAR! É FAZER! Dar o melhor de si em cada ação, pois cada cliente é único, é diferente e deve ser valorizado, reconhecido. É fato que o mercado jurídico está extremamente concorrido, como dizem alguns, saturado, visto que a cada semestre novos profissionais se formam, mas esse suposto medo pelo aumento da concorrência não é o que deve predominar no nosso mundo. Somos profissionais liberais, com uma mina à frente, bem ali. Onde? Tem que descobrir.

Amo a minha profissão, embora ela ainda não tenha me trazido o resultado financeiro que mereço e busco. Não me acanho em dizer, que em algumas vezes já pensei em migrar de profissão, voltar ao banco acadêmico, começar algo novo, porém, logo desisto, pois muito rapidamente me conscientizo de que nada acontece do dia para a noite, a não ser ganhar na loteria, o que para mim não vai funcionar, pois nunca joguei, nem vou.

Pela lógica cotidiana, a gente planta, rega e somente após colhe os frutos, que podem ser graúdos ou bichados. Vai depender do semear e do processo de cultivo. Regra clara!

A advocacia de hoje, moderna que é, exige que o profissional tenha estratégia, organização, jogo de cintura, ética, paixão, paciência e resiliência! Sim, eu sei, são muitos atributos, mas nada que não possa reunir numa só pessoa, ou seja, na pessoa do advogado! Na minha, na sua, na nossa.

Mas aí podem me perguntar? Pera aí, pela ideia do artigo parece que a “colunista” que subscreve tal artigo, ainda não se realizou na profissão para falar sobre as possibilidades de sucesso da advocacia. Entendi.

Na verdade a ideia de publicar tal artigo é apenas nos sentido de falar para mim mesma que o tempo AINDA É DE PLANTAÇÃO. Todos temos asas para voar! Como disse o filósofo Clóvis de Barros Filho: “Não importa se você nasceu assim, ou assado. O que conta mesmo é a partir de agora. E só depende de você”.

A profissão é árdua, exigente, pois requer sempre atualização acerca das novidades legislativas, doutrinárias e jurisprudenciais, participação em Congressos, estudo constante etc, mas todo profissional que resolva militar deve partir do pressuposto que a advocacia não te fará rico do dia para a noite. Reitero, salvo algumas exceções. Pensar assim ameniza a ansiedade de encontrar logo o resultado financeiro, e, enfim comprar a sua tão sonhada BMW.

A realidade “nua e crua” é que o trabalho da advocacia requer persistência, transparência, atitude e comprometimento. Boa sorte para nós que ainda estamos na safra da plantação. Ah, mas a colheita virá, disso eu tenho certeza! Avante, conforme sempre diz o professor Luís Flavio Gomes - LFG.


Gisele Nascimento é advogada em Mato Grosso.



Comentários

Deixe seu Comentário

URL Fonte: http://reporternews.com.br/artigo/2318/visualizar/