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Opinião
Segunda - 14 de Janeiro de 2019 às 10:00
Por: Lourembergue Alves

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A corrupção é um cancro que vem corroendo o país, e machuca bastante suas entranhas, diminuindo a possibilidade de reabilitação de suas artérias e de seus órgãos vitais. Só não chega, infelizmente, a estragar as colunas de sustentação do Estado. Pois nelas se encontra a seiva que alimenta a saúva má, que beneficia os agentes da corrupção. Corromper, evidentemente, jamais será conjugado apenas pelo agente público, ou agente político-público, mas por estes e pelos agentes privados. Isto porque é impossível se ter tão somente o corruptor passivo sem o corruptor ativo. Daí a dificuldade de se combater o dito cancro. Difícil, mas é preciso combatê-lo. Tarefa de todos. Os todos já se predispuseram a fazer isso. Há muito tempo. Preocupa, e muito, a forma como os todos se apresentam. Apresentam-se separados, divididos. Ora, ora! A tarefa não é de todos. Então, o porquê dessa divisão. Divisão que se tornou absurda para se evitar escrever aqui um palavrão.

É preciso se contar de um a dez, e se for preciso, aumentar para mais, recomenda-se a prudência, o bom senso. Quando se chegar ao final da contagem, passou-se a raiva, e não se fala mais no dito nome feio, como se dizia no passado. Assim, o texto transcorre-se dentro da normalidade. Mas o que é normal? O ser normal é um conceito único e aceito universalmente? Respostas difíceis de serem encontradas. Sobretudo ao se trazer para respondê-las recomendações da psicologia, da antropologia, da sociologia, e, enfim, de tantas ias do mundo afora. Resultado. Ah! Melhor pular. Até para não ficar rodeando o toco, como se dizia no interior, e não se ficar preso entre o azul e o rosa. O melhor mesmo é retornar-se ao foco inicial, e que é de fato o objeto deste texto.

Antes, porém, uma questão: o que é corrupção? Em linhas gerais, em uma resposta bem rápida, corrupção é toda ação agressora à norma, à regra e à legislação. Neste sentido, furar a fila e estacionar em lugar destinado a deficientes são exemplos de corrupção. Nisto, não existe discordância alguma. Parece, pelo menos. Ou não? As dúvidas são pertinentes. Fazem-se despertar a curiosidade e provocam a busca pela resposta. Isto é um ganho. Por falar nisto, outra pergunta: é corrupção a contratação e manutenção de um funcionário fantasma em um dado setor, ou repartição pública, ou gabinete? No entender desta coluna, claro que sim. Neste ato, ocorrem dois crimes, o desvio de dinheiro público e o desrespeito a coisa pública.

Portanto, corrupto não é apenas aquele que paga e o que recebe propinas por uma obra ou por certo benefício. Esta rede é bastante ampla. Causadora de estragos incalculáveis. Daí a necessidade de se quebrar seus sustentáculos. Tarefa de todos. Todos que carecem estar juntos, aliados, não desunidos, divididos. Até porque a corrupção não se encontra apenas nos outros, nos que estão do lado oposto, na sigla adversária do governo, na esquerda, na trincheira petista e lulista. Mas, na verdade, a corrupção se dá tanto por quem se põe junto ou é o dono do poder, situacionistas atuais, oposicionistas, gente da direita, esquerda, centro e, enfim, por todos os lados e setores. Caçar, portanto, só os de um lado, permite que os corruptos do outro continuem a agir ilicitamente e livremente. Desse modo, o país continuará à mercê do cancro que o corrói e mata as esperanças. É isto.

Lourembergue Alves é professor universitário e articulista.



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