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Opinião
Domingo - 06 de Outubro de 2019 às 07:23
Por: Onofre Ribeiro

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Há décadas a Amazônia brasileira não era tão discutida. Começou com as denúncias de queimadas neste ano. Depois vieram as denúncias de desmatamento. Por fim, vieram as denúncias contra o Brasil. E, junto, os receios de retaliações comerciais contra tudo isso.

O governo brasileiro interpretou tudo isso por um ângulo só: o da soberania física no território. Errado!

Hoje, passados dois meses e com a fervura mais baixa dá pra se discutir melhor o assunto. Com lucidez! A questão vai muito além da soberania territorial. O que teria então, por detrás? perguntaria o leitor. Além dos naturais problemas geopolíticos e econômicos da União Europeia, estão alguns fatores novos que nunca estiveram antes no tabuleiro dos interesses internacionais sobre a Amazônia.

A Europa teve sucessivas guerras no século passado. No final do mesmo século teve a união de todos os países debaixo de uma única federação. Eram países com forte identidade que tiveram que se submeter a um governo genérico. Isso não se dá em clima de plena paz social ou psicossocial. Tampouco política ou econômica.

Hoje, passados dois meses e com a fervura mais baixa dá pra se discutir melhor o assunto. Com lucidez!

Mas esse clima conflituoso iniciado lá na primeira guerra mundial, em 1914, depois na segunda, em 1939 a 1945, deixou traumas que acabaram por abrir espaços psicossociais pra comportamentos novos construídos ao longo desses 74 anos do pós-guerra. Hoje gerações convivem com um traumatismo subconsciente de tantas tragédias humanas e culturais.

São essas gerações que estão por detrás de novos comportamentos diversos, mas tão convergentes. Estão preocupadas com o bem estar dos animais, com a água, com a floresta, com a Amazônia e com a alimentação. Navegam num profundo e misterioso mar de contradições.

Mas sabem que caminham numa direção mal-compreendida pelas gerações mais veteranas.

Não importam se na Amazônia não vivem elefantes e girafas. Lá vivem animais, reconhecem. Esses merecem a preservação, assim como qualquer árvore. Esse sentimento está também em seus países. É uma onda geracional de comportamento novo.

É aqui que o Brasil deverá agir, se quiser sair desse abismo de queimador de florestas! Garantir a soberania da biosustentabilidade. Parece confuso. Mas não tem outro caminho. Soldados descendo de paraquedas não pra defender a linha demarcatória do território. Mas pra garantir a integridade da biodiversidade.

Esta é a linguagem final que nos resta compreender. As gerações futuras não se importam com a posse do território. Querem que ele seja mantido íntegro como bioma e fonte de vida. Só isso!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso



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