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Opinião
Segunda - 11 de Maio de 2020 às 11:58
Por: Rosana Leite

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No mundo em busca por igualdade, as expressões do passado devem ser esquecidas, ou, modificadas para a adaptação à linguagem de gênero. Declarações ditas e repetidas por diversas vezes acabam ganhando força, e, sendo real para alguns e algumas.

E quando se falam que o homem deve ter “palavra”, não estão se referindo à raça humana, como língua sempre tratou, esquecendo-se de friccionar a linguagem.

Quem nunca ouviu dizer que homem, com H, deve ter palavra? E porque eles devem ter palavra? Existem várias explicações para essa sentença. Muitos e muitas assim afirmam por eles serem os chefes da família, por serem decididos, por cumprirem o seu papel, por lhes ser vedado errar, por serem esteio, e por aí afora. Sim, os homens, com H, para serem respeitados e de valor, por todo histórico, devem ter palavra.

O que dizem, devem ser certo, com a eiva do que é estritamente correto e coerente.

Dentro desse contexto, onde está o gênero feminino? Onde se encontra a comunidade LGBTQI+? Para o gênero feminino e para os LGBTQI+ resta a máxima de que falam demais.

Declarações ditas e repetidas por diversas vezes acabam ganhando força

Falam sobre o que não sabem, e não conhecem. Aceitam fofocas, maledicências com naturalidade e compartilham desse tipo de “comunicação”. O que as mulheres falam, pouco importa, por isso, tanto sofrem o “manterrupting”.

Outras vezes, o que elas falam passa “despercebido” em momentos de reunião, por exemplo, mas as ideias aproveitadas pelo gênero masculino. A bem da verdade, pouco crédito sempre foi conferido ao gênero feminino quando se trata de expor ideias e ideais.

Essa diferença em dar atenção ao que dizem as mulheres é visível desde a infância. Não raras vezes, pais e mãe costumam valorizar as palavras dos filhos do gênero masculino. Quando é preciso que se limpe algo, as meninas são chamadas.

Todavia, para apresentar palpites quando a inteligência deve fazer as vezes, os garotos são chamados. Sem contar que as “fichas” dos pais e das mães são apostadas muito mais nos meninos. Afinal de contas, pelo “ciclo familiar” é deles a “obrigação”, no futuro, de exercer o mesmo papel dos seus genitores. Chefes de família?

Lembrar a história é rememorar o quanto o gênero feminino já enfrentou batalhas, e as venceu, para que outras agora possam usufruir de direitos. As mulheres passaram a fazer jus e a estudar e exercer o direito do voto muito tempo depois dos homens. O espaço delas se restringia ao lar, quando não era apenas para a reprodução...

Cada vez que ditados e dizeres patriarcais são lembrados, cabe a eles e elas a reflexão do papel na comunidade e sociedade. Mais uma vez a pergunta: como seria o PIB sem o desempenho delas na atualidade?

Caráter e personalidade são inerentes a qualquer ser humano independente de gênero ou orientação sexual. Supervalorizar uma fala, em detrimento de outra, por conta desses fatores é caminhar contra o avanço, contra a equidade. Enquanto a forma tiver mais valor de conteúdo, as discriminações e preconceitos continuarão a ser realidade.

Existem homens que falam mais que mulheres. Existem mulheres que estudam mais que homens. Existem LGBTQI+ que abominam fofocas. Aparecem pessoas e opiniões de todos os tipos. Todos e todas são seres humanos. Os créditos devem ser de quem os tem. Gênero e orientação sexual? Ah, cada um com o seu...

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.



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