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Opinião
Quinta - 04 de Junho de 2020 às 05:07
Por: João Valente

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Neste período do ano, mais precisamente o dia 05 de junho, é especialmente dedicado ao tema meio ambiente. Embora esta palavra seja corriqueira e visite os nossos ouvidos frequentemente nos acostumamos a relacioná-la com os lugares não antropizados e, portanto, boa parte das vezes por estarmos concentrados em zonas urbanas pode parecer que meio ambiente não tem muito a ver conosco.

Já ouvi muito a frase “precisamos proteger o meio ambiente”. E é interessante observar as imagens de reforço que frequentemente são utilizadas para ilustrar este tema que retratam um paraíso onde se apresenta um lugar com muito verde, com água limpa, cachoeira e animais “livres” se deslocando de um lugar para outro.

Outra imagem retrata o inferno e, ao contrário da primeira, é apresentado como um lugar antropizado, com vegetação devastada, queimadas, solo exposto e erodido, água turva e rios assoreados, animais selvagens mortos ou enjaulados.

Em meu entendimento, estas duas imagens frequentemente utilizadas, associadas ou dissociadas, reforçam o entendimento equivocado como estes: Eu estou aqui e o meio ambiente está lá; se eu fizer parte o meio ambiente entrará em colapso; o natural neste planeta significa vegetais e outros animais distintos do ser humano. E o ser humano, então, é de onde? Deixo aqui algo para você refletir.

As ações públicas em larga escala de proteção ao meio ambiente não conseguiram ainda ultrapassar as “soluções” criadas no passado para separar uns e outros de nós e que ainda são replicadas, atualmente, a exemplo de um “apartheid”, muro de Berlim, a cerca entre a fronteira dos Estados Unidos e o México, entre outros.

Estamos segregando porções do espaço geográfico com nomes e regras distintas, uns reservados exclusivamente aos vegetais e aos ditos “animais selvagens”, nos quais, seguindo as regras, é permitida maior, menor ou nenhuma convivência entre os ditos seres naturais e o ser humano.

As iniciativas individuais mais divulgadas de contribuição, seja por iniciativa pessoal de devolver ao meio ambiente parte do que retiramos, ou por imposição legal compelidos por autoridades públicas a reparar um “dano ambiental”, é o apoio financeiro às ONGs que se dedicam às tartarugas, às baleias, às girafas, ao pantanal, e recentemente em especial à Amazônia.

Apesar de muito relevante e necessário, é apenas uma maquiagem que esconde realidade e a deixa com a aparência mais agradável nesta ou naquela época e lugar. Vivemos um excelente período para observar o que está por baixo desta maquiagem, encarar a realidade e refletir, planejar e executar ações que melhorem o ambiente que habitamos, que frequentamos e que influenciamos.

Convido a todos, especialmente os que fazem parte do sistema Confea/Crea/Mútua a somar forças. Vamos juntos propor ações efetivas para serem executadas por você e pelo Crea-MT, sejam locais ou mais abrangentes, mas que uma vez executadas contribuam para tornar o ambiente onde habitamos, trabalhamos ou onde frequentamos mais adequado para a diversidade de seres que nele habitam ou dele se utilizam incluídos, é claro, os seres humanos.

Além disso, Mato Grosso é um estado com economia pujante e um grande desafio: conciliar a agenda de produção com a conservação ambiental. Sem dúvida, cada um dos nossos profissionais da Agronomia, Engenharias e das Geociências vivencia esta meta no trabalho cotidiano; e o fruto do nosso trabalho vai muito além das nossas fronteiras, reverberam em toda população brasileira e mesmo no mundo!

João Valente, engenheiro agrônomo, professor Dr. aposentado da UFMT, presidente licenciado do CREA



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