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Opinião
Quinta - 18 de Junho de 2020 às 16:24
Por: Gonçalo de Barros Neto

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O jovem de hoje quer muita coisa e não quer nada! É quase impossível o seu enquadramento numa categoria específica, talvez a autoindulgência e forte vontade de autossuficiência seja a sua marca, ou cicatriz.

A garotada quer palpitar!!!

Uns se definem como liberais, mas não leram Keynes ou Adam Smith, e muito menos pensaram reflexivamente a respeito; outros, são marxistas, mas muito rapidamente leram O Capital, se leram. Há ainda os socialistas, socialistas Cristãos, anarquistas, fundamentalistas, socialistas democráticos, sociais democratas etc. etc. etc.

Não leram Platão, Aristóteles, Hobbes, Locke, Rousseau e Carl Smith, mas neles são, por osmose, autodidatas. Quem sabe leram a si próprios e, diante da ironia criadora, inovaram no pensamento civilizatório?

Pois bem, resolvem-se pelo caminho menos dolorido, economizam na dor das nádegas, das costas, das vistas etc., próprias dos que labutam nas bibliotecas, e, em altos brados, jogando games ou aporrinhando os que conhecem, e conhecem por convicção de muito estudo, batem no peito: eu sei.

Mas o que eles sabem?

Esse fenômeno vem se avolumando na medida em que os pais acham ‘bonitinha’ a rebeldia ‘intelectual’ dos seus jovens. Contudo, se sentiram desconfortados quando Umberto Eco ‘obtemperou’: ‘a internet deu voz aos idiotas’.

Muitos não conseguem distinguir democracia de ditadura, mas palpitam; como palpitam! Sem nenhuma responsabilidade teórica, acham, e acham algo em tudo, e de tudo acham algo.

Alguns discutem nos grupos de ‘Whatts’ e, com muleta intelectual e frases de efeito, estão também conectados ao Google para alavancar ainda mais as suas ironias conceituais. É uma catástrofe geral. É o fim dos tempos em que os jovens pediam licença, homenageando a primazia do conhecimento abalizado e profundo.

Quem nunca viu um desses por aí? São fervorosos, discutem num universo de certeza a dar garantia absoluta até ao microcosmo e na estrutura atômica da matéria, ajudando inclusive a física clássica de Newton a compreender a teoria da relatividade de Einstein. Ou não?

O papel a ser desempenhado pelas escolas e universidades tem de levar em conta a desconstrução da WEB como palavra final do saber, de qualquer saber ocupado pela ciência e de qualquer ciência. Aprender a usar a internet como ferramenta adequada a determinadas tarefas, sempre como meio e não um fim em si, deve ser primordial.

Ladeado por estudiosos de Filosofia, Sociologia e Direito, isso nos preocupa. Afinal, com os jovens da modernidade e contemporaneidade temos que conviver e, apesar dos ‘achados’, discutir de igual.

Assim, tenho dúvida, hoje, se o papel da Filosofia consiste em elevar a cultura de uma época à consciência de si mesma (Dilthey). Fazer do ‘achado’ que a tudo palpita cultura e, depois, que tenha consciência de si não é tarefa para um, dois ou três abnegados teimosos, teimosos de si.

É por aí...

Vejam mais em Bedelho.Filosófico (Face, Insta e You Tube).

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO é bacharel em Filosofia e Direito e escreve aos domingos em A Gazeta.



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