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Opinião
Domingo - 05 de Julho de 2020 às 09:49
Por: Renato de Paiva Pereira

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Falta muito pouco para nos igualarmos a Manaus na sua pior fase de proliferação do novo coronavírus que ocorreu há uns 15 ou 20 dias.

Aliás, Manaus é um exemplo que nos ajuda a evitar o desespero, pois tudo indica que tal como lá chegaremos a um pico de infecções, começando em seguida uma acentuada curva descendente. Tanto que a capital amazonense, em poucos dias, já desativou um hospital de campanha e está abrindo a economia local com os devidos cuidados.

Mas há outras más notícias: nos Estados Unidos a doença recuperou fôlego obrigando vários estados a retomar medidas restritivas, principalmente fechamento do comércio não essencial. Também na América do Sul a pandemia aumenta apontando para uma onda de crescimento que pode durar um ou dois meses até chegar ao ponto máximo.

O processo de imunização através de vacinação é uma possibilidade quase concreta e também mais ou menos próxima

Entretanto para compensar esse panorama ruim, na semana que passou a Europa começou a abertura de suas fronteiras para receber turistas, mas com limitações a visitantes originadosdo Brasil, Estados Unidos e Rússia, países que ainda não conseguiram conter a pandemia.

Quem via a Espanha, França, Reino Unido e Itália há algumas semanas como países com mais óbitos pela covid-19 nem imaginava que em tão pouco tempo eles pudessem começar o caminho de recuperação, ainda que lentamente.

O bom desses exemplos positivos é que nos alimenta a esperança de voltarmos a iniciar a trilha da normalidade possível antes de descobrirem um remédio para a cura – o que parece difícil – ou o desenvolvimento de vacinas – estas sim bem mais prováveis.

O processo de imunização através de vacinação é uma possibilidade quase concreta e também mais ou menos próxima. Há muito boa chance de começarmos a ser vacinados ainda este ano, se tudo correr bem nesta última fase de avaliação.

O que alimenta essa esperança é o fato de a Fiocruz ter antecipado 127 milhões de dólares aos pesquisados da Universidade de Oxford no Reino Unido para ter acesso à matéria prima para fabricação inicialmente de 30 milhões de doses. Ninguém iria colocar em risco tanto dinheiro se a chance de sucesso não fosse realmente muito provável.

Essa é apenas uma das mais de cem vacinas que o mundo apressadamente desenvolve, mas é a que está mais próxima de cumprir todas as etapas exigidas para ser aplicada nos humanos.

Há outra promessa de imunização muito adiantada nos Estados Unidos já em fase de teste em humanos e mais uma na Índia em estágio semelhante e ainda outra na Alemanha; sem falar no promissor acordo que o Estado de São Paulo, através do Instituto Butantã, fez com a China para produzir aqui o antígeno contra a covid-19.

Parece-me que este recorrente clichê “novo normal” - expressão horrível, como todo chavão que se preza – não chegará a fazer escola, pois quando estivermos vacinados, rapidamente voltaremos aos velhos costumes. Mas por certo gastaremos ainda um bom tempo lambendo as feridas que a doença vai deixar e nos recuperando dos prejuízos financeiros que já causou.

Renato de Paiva Pereira é empresário e escritor



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