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Opinião
Sábado - 18 de Julho de 2020 às 12:01
Por: Marina Steché

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De repente, no meio da rotina, da liberdade e do convívio social aos quais estávamos acostumados, nos deparamos com um outro mundo, em que uma crise na saúde nos afeta em todas as esferas de nossas vidas, causando medos, angústia e insegurança. O isolamento e a falta de contato nos são impostos como prevenção para evitar uma doença em meio a uma pandemia mundial. E então nos perguntamos: “E agora???”. Planos são frustrados e famílias desestabilizadas, financeira e emocionalmente. Emoções negativas como as preocupações excessivas quanto ao futuro, tomam conta de todos nós, de forma geral e sem exceções, rapidamente, nos colocando no mesmo barco.

O medo é uma emoção básica, ficar temeroso e ansioso em um momento como este, pode até nos ajudar em situações perigosas. Essa emoção é tomada como reação fisiológica e está presente como forma de aviso e proteção desde a era primitiva, porém o medo passa a ser considerado exagerado, desesperador e patológico, quando é desproporcional em relação à situação problema, interferindo na qualidade de vida, concentração, sono, desempenho diário e no equilíbrio emocional.

Pesquisas apontam que o medo, como uma emoção exagerada e limitante, pode causar desde diferentes tipos de Transtornos de Ansiedade (TA), Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) até crises de pânico e depressão. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a prevalência mundial do transtorno de ansiedade é de 3,6%, com destaque para o Brasil, em que o TA está presente em 9,3% da população, possuindo o maior número de casos entre todos os países do mundo. Mas como manter então a saúde emocional em uma situação de quarentena?

Mesmo as pessoas mais saudáveis mentalmente têm o seu emocional abalado diante de mudanças bruscas somadas ao bombardeio de notícias ruins sobre os casos. Procurar ajuda psicológica para controlar o medo e a ansiedade excessiva, se torna a escolha mais sensata para manter a saúde mental. Pensamentos de insegurança trazem muitas vezes a sensação de perda de controle, pessoas com alguma pré-disposição ou até mesmo já diagnosticadas com algum transtorno psicológico, podem ter seus sintomas agravados nesse período de distanciamento social.

Para isso, faça uso de estratégias comportamentais que ajudem no manejo do medo, como o planejamento. Diante do novo, planeje novamente sua rotina, o medo tende a se potencializar diante do desconhecido. Busque atividades que lhe deixem bem, que relaxem positivamente e utilize a tecnologia a seu favor, cuidando da exposição às informações falsas e alarmantes. Podemos usar essa emoção como nossa inimiga, mas também como aliada, como um instrumento diante de um desafio, que nos impulsiona a agir e se prevenir da maneira que podemos. O medo não vai desaparecer de nossas vidas, mesmo após a pandemia passar, muitas vezes ele vai fazer um papel necessário no dia a dia, de nos guiar e nos orientar, como uma função protetora, então não brigue com esse sentimento, mas também não deixe que ele se torne excessivo ao ponto de paralisar.

É importante acolher este sentimento, aceitar que ele está aí, identificar de onde ele vem, sua intensidade e agir para lidar melhor com ele. Quando você escolhe fazer algo em relação ao seu medo, como prevenir, tratar ou até mesmo enfrentar, você minimiza os sentimentos que ele causa, tornando-o mais funcional na sua vida, de forma que ele não atrapalhe e sim ajude. Estamos vivenciando um momento atípico sim, e indesejável, no entanto, é preciso tomar atitudes necessárias para minimizar os seus impactos na saúde da mente e se reinventar perante às dificuldades.

Em um cenário de incertezas, a única certeza que temos é a de que tudo passa.

Marina Steché - psicóloga (CRP 18/05593) em Cuiabá/MT. Pós-graduanda em Terapia Cognitiva, atua com a abordagem Terapia Cognitivo-Comportamental e auxilia pessoas através de sua página profissional no Instagram. (Terapeuta para adolescentes, adultos e casais).

Instagram: @psicologia_sensata

E-mail: psimarinastech@gmail.com



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