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Opinião
Segunda - 21 de Novembro de 2011 às 18:24
Por: Lourembergue Alves

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É grande a movimentação das lideranças políticas regionais. Viajam, conversam e traçam planos para as eleições vindouras. Planos que envolvem estratégias. Daí a necessidades de terem nomes. Estes são peças-chave. Inclusive para amarração de alianças. Explica-se, portanto, toda a caminhada pelo Estado, em busca de alguém – nos municípios – com capacidade agregadora e competência na conquista de eleitores.

Assim, não se vê falar em idéias, nem em projetos que envolvam as realidades locais e da região. Mas, sim, em nomes. São sobre estes que se discutem, falam e, inclusive, fazem programas televisivos e radiofônicos. Até as revistas e os jornais seguem na mesma toada. Não desafinam. Afinal, o jogo político-eleitoral é mesmo personalizado.

Personalizam-se tudo. Também os debates. A ponto dos filiados se dividirem em facções, com cada qual capitaneada por um chefe político. Uma não interage com a outra. Ainda que traga seguro a mesma bandeira partidária. Vivem, portanto, as turras umas com as outras. Elas se pegam como se fossem adversários partidários, e isso faz com que a sede da agremiação se transforme em ringue, cuja extensão não é outra senão os veículos de comunicação – onde as desavenças se acirram.

Situação complicada. Bem mais quando se percebe que os partidos não contam com a figura de um articulador político. Capaz o bastante para amenizar os ânimos. Nem os coronéis têm interesse na existência desta figura. Pois temem perder o leme da sigla. Preferem, então, o “assessor”. Termo entre aspas para chamar a atenção da sua inexistência, uma vez que a dita pessoa está mais para “papagaio de pirata” ou como “eco” das falações de seus chefes. Falações que realçam a vaidade e o ego – bastante evidenciadas nos encontros de cada partido.

Novamente se tem a predominância do personagem. Isso subtrai a importância das agremiações. Importância que se restringe tão somente a de trampolim em ano eleitoral. Pois ninguém pode ser candidato sem estar filiado. Empossado como congressista, o eleito se “amarra” a uma das muitas frentes existentes ali, e só lembra-se da sigla em que está filiado quando carece de novo dela, sem, contudo, esquecer-se da própria relevância como “estrela” de um cenário marcado por narcisistas.

O “nós” – por ele utilizado em discurso – esconde o pessoalizar. E não só isso. Escamoteia a sua incapacidade em lidar com a pluralidade. Pois são plurais as realidades dos municípios e do Estado.
Pluralidade que exige de cada partido projetos. Mas estes, por sua vez, exigem estudos. O que requer gente especializada, cuja tarefa é levar para dentro da sigla discussões acerca dos problemas identificados e diagnosticados, com a população.  
 
Os projetos nascem desse tipo de debate, e são eles – os projetos - que deveriam ser pautas na mídia e temas nos bate-papos sobre política. Não a pessoa do político ou do empresário, como se tem hoje. Tanto como ontem. Por isso se têm elegido para o Executivo – municipal, estadual e federal – alguém sem qualquer planejamento prévio ou programa de ação.     

Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br.


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