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Opinião
Sexta - 23 de Outubro de 2020 às 11:01
Por: Romildo Gonçalves

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A chuva chegou o fogo passou o dinheiro acabou, os milhões de ambientalistas e jornalistas sem noção, do que seja fogo e meio, se mandaram o pantanal ficou? 2020 foi realmente um ano que ocasionou problemas sérios aos ecossistemas brasileiros, especialmente para os pantanais mato-grossenses que a quase vinte anos não via fogo em sua biomassa.

Aliás não foi só em 2020, a cerca de três décadas pesquiso o meio ambiente pantaneiro com foco no fogo florestal ou seja, nos pantanais mato-grossenses que compõem essa grande bacia sedimentar, nesse interim venho alertando as autoridades brasileiras quanto ao equivoco destas autoridades constituídas e gestores de plantão no que se refere ao manejo do fogo florestal nesse importantíssimo ecossistema único no mundo, chamado Pantanal, que de “pântano não tem nada”.

Como se sabe os pantanais mato-grossenses são na sua essência é uma bacia sedimentar em plena formação geologicamente falando, isto porque tudo que se faz nos planaltos mato-grossenses, e “hoje a pressão antrópica nesses ambientes são gigantescas, com desmate e gradagem do solo para o plantio agrícola” com tudo isso juntos e misturados, mais cedo ou mais tarde literalmente atingirá o ambiente pantaneiro com consequência imprevisíveis.

Como sabemos, é difícil quase impossível, para quem não conhece o pantanal, avaliar o impacto causado pela atividade humana na região do planalto, e como ela está refletindo fortemente no bioma pantaneiro, o homem pantaneiro autêntico e não jongueiros que ali a séculos vivem preserva sabem do que estou falando.

Como bem diz, Cristina Gonçalves e José Comastre da Embrapa: “pesquisar manejo de pastagens nativa no pantanal é um grande desafio. a experiência mostra que as pastagens precisam ser tratadas, conforme a natureza as tratam, ou seja, sem abusos por parte do homem e de forma racionalizada.

O fogo florestal, tão combatido e tão temido é prejudicial ou é um aliado no manejo de pastagens no pantanal? pesquisas em andamento com queima maneja no caronal = grandes extensões de campo com dominância do capim-carona que ocupa cerca de cinco mil km2 dos pantanais.

São eles Nhecolândia, Poconé, Paiaguás, Cáceres, Barrão de Melgaço, Aboral, Aquidauana... Cujo consumo pelos bovinos dão-se somente pela sua rebrota até 14 dias após a queima, demonstrado em dois anos que o fogo não alterou a diversidade das espécies vegetais, mas somente a cheia e a seca.

Áreas destinadas a reserva ecológica e vedadas com retirada dos bovinos e equinos há anos, caminham para um processo de arborização e fechamento dos campos com grande acúmulo biomassa a conhecida localmente como macega, ocasionando em alguns casos, incêndios de difícil controle.

Caberia aqui mais pesquisas sobre o uso e manejo do fogo em vegetação nativa nesse ambiente e ao mesmo tempo fomentar e estimular a entrada do gado = taxa de lotação adequada, já que estes animais convivem no pantanal há anos”.

Ou como dizemos por aqui “A máquina que corta capim no pantanal chama vaca” e para manejar o fogo em suas propriedades no tempo e na hora certa, o pantaneiro sabe como ninguém.

concordo com a ministra da agricultura brasileira, Tereza Cristina, “se houvesse mais gado no pantanal” com certeza absoluta o impacto do fogo no meio ambiente pantaneiro seria muito, muito menor. Mas?



Romildo Gonçalves é Biólogo Prof. Pesq. Em Ciências Naturais da Ufmt/Seduc



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