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Opinião
Sexta - 11 de Outubro de 2013 às 12:29
Por: Eldes Ivan de Souza

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O texto deste artigo é um excerto e uma adaptação que fiz da obra Jesus – Aproximação Histórica, de autoria de José Antonio Pagola, publicado pela editora Vozes,5ª edição, 2012, que começa assim :

Estamos por volta do ano 28, na Galileia. Todos sabiam que aquele homem era filho de um artesão e o chamavam Jesus, e sua única obsessão era anunciar a “Boa Notícia de Deus” numa linguagem nova que dizia que está chegando o “reino de Deus”. No seu pouco tempo de vida insurgiu-se contra o mal e pôs-se a favor dos sofredores porque acreditava que o reino de Deus consistia em libertar a todos daquilo que os impedia de viver de maneira digna e feliz. O surpreendente é que ele não chamava a Deus de “rei”, mas de “pai”, e o Deus que ele anunciava não era um Deus de ira, mas um Deus de bondade e de misericórdia.

Ele não falava de pecado, mas de esperança, suscitando a fé e a confiança em Deus, Pai misericordioso de todos. Por isso, não cansava de dizer: “Não andeis preocupados com vossa vida, com o que comereis, nem com vosso corpo, nem com o que vestireis. Buscai, antes de tudo, o reino de Deus e essas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mt.,6,25-33).

Por todo canto anunciava que era preciso mudar, e então dizia: “Dá a todo aquele que te pedir”. “É preciso ter um coração grande para com os mais pobres”. – Olha, eu vos convido a descobrir que a criação inteira está cheia do amor e da bondade do Pai, que “faz nascer o sol sobre bons e maus, e faz chover sobre justo e injustos” (Mt.,5,45).

Para ele Deus não amava somente aos que lhe eram obedientes. Ele tinha compaixão também dos gentios e pecadores. Enfim, esse era o Deus que estava chegando.

Mas, o que Jesus dizia era coisa incrível e admirável: no reino de Deus as coisas não funcionam a partir da religião e da lei, mas a partir da misericórdia de Deus; e para ir a Deus não é preciso uma vida austera do deserto e também não tem sentido continuar jejuando. E dizia mais: para receber o perdão não é necessário subir ao Templo de Jerusalém para oferecer sacrifícios de expiação e nem mergulhar nas águas do Jordão.

Em verdade, com Jesus tudo começa a ser diferente. O temor do juízo dá lugar à alegria de acolher a Deus, amigo da vida.

Mas, será tudo isso verdade? Ele está dizendo aos seus ouvintes que a misericórdia de Deus não pode vir do Templo nem dos canais religiosos oficiais, mas da ação daquele que estende a mão àqueles que sofrem, os quais se transformam, assim, no instrumento e encarnação do amor compassivo de Deus.

Tanto ontem como hoje, não dá para viver uma religião como a do Templo daqueles dias e como a de muitas religiões que, hoje, pregam diferente do que ensinava o mestre da vida, incentivando o ódio, o preconceito e a inimizade de uma contra a outra como se só a sua fosse a maior e a única verdadeira.

Fico observando as religiões monoteístas. Tanto o cristianismo como os muçulmanos dizem que sucederam ao judaísmo e as três, no geral, cada qual quer ser uma maior do que a outra e esquecem o principal: Deus é um só, e não é católico, evangélico, ortodoxo, muçulmano, espírita e membro do judaísmo. Na realidade, todos os três povos são filhos de um mesmo pai celestial, o que, por si só, serviria para não justificar essa hostilidade teológica e essa briga de herança onde cada um pensa que é o único beneficiário da herança de Deus. Pura bobagem!

Enquanto ficam brigando entre si esquecem-se de que precisamos mudar nosso olhar e nosso coração, como dizia o Cristo, Jesus.

As pessoas podem alcançar a maior riqueza do mundo; podem alçar ao cargo mais elevado; podem gozar do maior prestígio social e profissional; podem possuir todas as honrarias e ser o mais poderoso da terra, mas se não tiver AMOR : nada disso tem valor.

A bem da verdade, o AMOR nos aproxima do Criador e nos torna partícipes da construção do Reino de Amor e de Paz entre os homens de boa vontade.

Como uma semente que morre para trazer vida, devemos deixar morrer em nós o orgulho, a vaidade e muitas coisas mais, e, por fim, acabar com a hipocrisia de querer um ser maior do que o outro. No fundo, e diante do Criador, somos todos simples servidores que ainda necessitam compreender que só podemos servir a Deus servindo o próximo.

Mas, ao que parece, a humanidade não quer ascender ao céu mudando o mundo para melhor, preferindo a indiferença ao sofrimento do próximo e o apego às coisas mundanas.

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eldes@terra.com.br

 



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