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Opinião
Sábado - 21 de Novembro de 2020 às 07:52
Por: Rosana Leite Antunes de Barros

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Sim, eles, os símbolos, muitas vezes, falam por si só. A semiótica tem feito a grande diferença em todos os lugares, onde objetos podem falar mais que mil palavras.

No universo das mulheres, Kamala Harris têm sido tratada como símbolo de representatividade.

Primeira mulher a ocupar o cargo de vice-presidente dos Estados Unidos, negra, filha de imigrantes com mãe indiana e o pai jamaicano, Kamala despontou ser uma pessoa simples e que assim sempre se portou.

Agora será a ocupante da segunda cadeira mais importante na administração pública dos EUA, tendo demonstrado que a sua essência é o esperado para o momento.

Essa será uma vice-presidente que representa o contexto de mudança social, porquanto, o seu nome foi primordial para que Joe Biden e ela alcançassem a vitória. No seu primeiro pronunciamento já eleita, Kamala utilizou não só de simbologia, mas também da semântica, fazendo de suas palavras eco para as mulheres do mundo.

No universo das mulheres, Kamala Harris têm sido tratada como símbolo de representatividade

De terno branco, a cor que é símbolo da luta pelos direitos da mulher desde 1913, quando o ‘National Womens Party’ assim declarou, juntamente com as cores dourada e roxa, vez que essas são as cores da bandeira sufragista, ela subiu ao palco usando a tribuna.

Espontânea, falando diretamente para as câmeras, Kamala passou por um enorme desafio durante a campanha em outubro do corrente ano, quando aceitou participar de um debate com o candidato a vice republicano.

Expôs, sem qualquer problema, que o atual governo foi um fracasso para conter o coronavírus durante o período pandêmico, manifestando, ainda, ser a favor do aborto e do controle do porte de armas. Todavia, por ser mulher, foram várias as vezes em que sua fala interrompida pelo candidato oposto, tendo que disparar: “Se você não se importar em me deixar terminar, poderemos ter um diálogo. ”

Percebemos o quanto as palavras, objetos e história estão a contar sobre mulheres. E, de outro turno, que a simbologia pode ser negativa e positiva. Em leituras de alguns artigos que tratam dos direitos humanos das mulheres, tempos atrás, percebi um comentário de um homem da seguinte forma: “Essa mulher deve estar com pouca louça para lavar”. É... Para esse ‘coitado’, pelo qual apenas a piedade está a socorrer, as pias são delas...

Abandonar o medo não é tarefa das mais fáceis. Lutar contra o mundo construído pelas fortes pilastras do androcentrismo, que alimenta a misoginia e o sexismo, é o mesmo que saber que em algum momento se deparará com seres pouco humanos.

Há necessidade de se mencionar as críticas quanto aos representantes dos Estados Unidos, que, independente de gênero ou raça, estabelecem, mesmo aqueles e aquelas que possuem visão mais progressista, uma ideologia liberal. O sistema capitalista, ao mesmo tempo que ascende algumas mulheres ao poder, o faz às custas de outras. Uma perspectiva decolonial, é o almejado. Contudo, a representatividade trazida por Kamala nos faz refletir quanto à importância de termos o gênero feminino no poder. Somos capazes e necessárias para a construção de um mundo mais justo.

Kamala Harris, após tantos embates, em dia de declarar vitória desfechou: “Eu me ergo sobre seus ombros (sufragistas). Eu posso ser a primeira nessa posição, mas certamente não serei a última. ”

Oxalá!

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.



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