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Opinião
Quarta - 16 de Novembro de 2011 às 08:20
Por: Lourembergue Alves

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Entre os e-mails recebidos ontem, encontrava-se um com a seguinte indagação: “O ex-prefeito Roberto França será candidato em 2012?” “Tudo indica que sim”, diria o próprio missivista, e antes que houvesse qualquer questionamento a respeito, completou: “se assim não fosse jamais teria filiado às pressas ao DEM, no último dia permitido para quem desejasse sair para a disputa do ano vindouro”. “E por que a sigla democrata?” Esta surgiu por parte do segundo leitor-missivista, o qual não se atreveu a dar resposta alguma. Mesmo assim, ela se soma a primeira questão. Têm-se, então, boas provocações. Daí a razão deste texto, em pleno aniversário da República. 
 
Aniversário, contudo, não deixa de ser também momento de reflexão. Mesmo que a temática seja bem diferente daquilo que se comemora. Mas, por tabela, tem tudo a ver. Pois República e democracia, embora dissociadas, caminham juntas. Ainda que, por enquanto, inexista desenho apropriado do cenário que há de vir. Talvez, por isso, as questões acima. Sobretudo porque elas trazem ao tablado de discussão a figura de um ex-prefeito cuiabano. Condição capaz de mexer com o atual quadro. Quase sem brilho por falta de projetos e de estudos, sequer preliminares sobre as realidades da Capital e de seus habitantes. 
 
Situação vexatória. Muito mais pela ineficiência das agremiações partidárias locais. Inclusive do partido “que já nasceu grande”. Porém não conta com um nome forte para a disputa da prefeitura de Cuiabá. Roberto França poderia ser esse nome. Mas ele rejeitou o convite peessedista. Agira desse modo levado “pela amizade que o une aos irmãos Campos”, conforme suas palavras. Ainda que não fosse a melhor das opções. Pois o DEM vem de perdas consideráveis. Diferentemente do PSD - maior partido do Estado. Este, todavia, também não representa a melhor das escolhas. Pois, na disputa eleitoral, não contará com tempo suficiente na televisão e no rádio, exceto o mínimo. Isso porque os parlamentares, que se filiaram a ela, não levaram consigo o tempo conquistado em 2010. Afinal, o dito tempo pertence por direito ao PMDB, PSDB, PP, DEM, etc., de onde saíram seus atuais integrantes na Câmara Federal.
 
Daí a filiação ao DEM. Esta decisão do ex-prefeito, no entanto, não foi resultado da reflexão sobre o tempo do horário político eleitoral. Nem foi fruto do pensar sobre o cenário político-eleitoral. Tampouco por laços de amizade a quem quer que seja. Mas por outra razão. Bastante pessoal. Presa àquele momento vivido, cujos acontecimentos levaram o fim da AGECOPA e a sua perda de emprego. Situação de desgaste, que bem poderia ser revertida a seu favor, com significativos dividendos eleitorais. Somada a possibilidade de costurar uma grande aliança em torno de si ou de sua esposa.
 
Acontece, porém, que os grandes partidos já tinham outras cartas na manga. O PMDB sonha em tirar o PT para dançar, sem perder de vista o PSD, que tem a pretensão de fornecer o candidato a vice. Isso provoca certa ciumeira nos petistas, os quais pensam em selar acordos com os peemedebistas, inclusive em Várzea Grande; enquanto o “Movimento Mato Grosso Muito Mais” parece ter saído dos trilhos, ao passo que do outro lado, com os petebistas à frente, tem-se o desenho de coligação entre os pequenos partidos. 
 
Isso, de certo modo, e temporariamente, atrapalhou um pouco as pretensões do ex-prefeito. Porém, Roberto França continua sendo um grande nome para a disputa. Capaz de provocar reações, e estas mexerem definitivamente com o jogo. Esperem, então, para fazer suas apostas.        

Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E_mail: Lou.alves@uol.com.br.


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