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Opinião
Domingo - 13 de Dezembro de 2020 às 13:26
Por: Renato de Paiva Pereira

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Os americanos chamam de pato manco (lame duck) os presidentes que perderam o poder político. O Trump é um legítimo pato manco, embora ainda teime em manter a pose de pavão. Mas sua teimosia infantil só dura até o dia 14/12, quando o Colégio Eleitoral proclamará, definitivamente, a vitória do Biden.

Jornalistas especializados atribuem à Covid-19 a derrota do presidente fanfarrão e boquirroto, nas eleições de novembro. Não a doença em si, mas sua opção irresponsável de ignorá-la, mesmo quando os mortos passavam de 200 mil.

O problema brasileiro não é menor que o dos americanos. Estamos com 180 mil mortos para uma população de 210 milhões de pessoas, enquanto eles contam 280 mil vítimas para 330 milhões de habitantes, o que proporcionalmente nos iguala.

Com a influência própria do cargo, consegue criar, com suas declarações estapafúrdias, um clima de desconfiança em relação aos imunizantes

Mas a situação lá é muito melhor que a nossa, porque o Pato Manco deles está com os dias contados, e o substituto é um ferrenho defensor da vacinação contra a pandemia.

O nosso Presidente, que já está virando pato, mas ainda não manca, pois tem muitos seguidores, tem suficiente poder para atrasar a aprovação e distribuição das vacinas.

Com a influência própria do cargo, consegue criar, com suas declarações estapafúrdias, um clima de desconfiança em relação aos imunizantes, principalmente os que vêm da China.

Na terça-feira (8/12) quando o primeiro ministro do Reino Unido, Boris Johnson, anunciou alegremente para todo o mundo o dia V, iniciando a vacinação em massa dos britânicos, aqui no Brasil também tivemos o dia V. Só que o nosso V é de vexame, diante do fracasso da reunião do Ministro da Saúde com os governadores para apressar as vacinas.

Mas, passados dois dias, viu-se que o esforço e a pressão não foram inúteis, pois o Ministro da Saúde, orientado pelo chefe, começou a mudar o discurso, já admitindo um possível início de vacinação ainda neste ano.

Nessa altura, já com a Anvisa aceitando a liberação, em caráter emergencial, de qualquer vacina, e com o Doria anunciando que o Butantan começará imediatamente a produzir um milhão de doses por dia, o Presidente viu a “viola em caco” e correu para achar uma saída honrosa, sem admitir que o governador de São Paulo ganhou a batalha.

O Presidente Bolsonaro, por sua livre vontade, nunca apoiaria um combate mais sério à Covid, pois sempre desdenhou dela. Só está “fraquejando” porque percebeu que pode ter o mesmo destino do seu ídolo Trump.

Nosso horizonte vacinal melhorou bastante nesta semana: agora temos a flexibilização da Anvisa; uma iminente ação do Congresso pró-vacina, à revelia do executivo; e uma possível decisão do Supremo, que pode obrigar o governo central a incorporar a vacina do Butantan e aplicá-la no país inteiro.

O Janota e engomadinho Doria, a despeito de sua mal disfarçada arrogância, parece que conseguiu pôr em evidência a vacina que o Bolsonaro demonizava, e impedir que o governo continue matando 600 pessoas por dia.

Mas é bom ter cuidado com os estragos que o Presidente pode fazer, porque, para alegria do vírus, nosso “Duck” que ainda não está “lame”, tem muita tinta na caneta.

Renato de Paiva Pereira é empresário e escritor



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