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Opinião
Terça - 15 de Dezembro de 2020 às 13:30
Por: Michelle Leite de Barros

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Na maioria das vezes, as pessoas costumam ter figuras masculinas como seus heróis, seja o pai, o avô, o irmão. E sim, em diversos momentos da vida de alguns eles se mostram como heróis. Porém, hoje quero apresentar uma heroína. Não somente na minha história, mas na de todos e todas que a amam.

A minha avó é aquela que quando chegamos em sua casa, terá pelo menos um “bolo fofo” (apelido que ela mesma deu ao bolo que faz) nos esperando.

Quando criança, eu não conseguia falar seu nome, então a chamo até hoje de vó Ieiei. Sua máquina de costura já me ajudou em diversos momentos, desde quando precisei de uma boneca para trabalho de escola até num simples vestidinho que com o tempo descosturou.

Ela pode não ter completado os estudos, mas é uma das mulheres mais inteligentes que conheço. Amante de plantas, sabe o nome de todas e é o seu presente favorito recebê-las. Uma leitora assídua.

Desde que a conheço, sempre tem um livro novo em sua cabeceira. Mas por que falar dela? Para que as pessoas se lembrem que mulheres fortes vemos o tempo todo, seja fazendo grandes feitos como Marie Curie sendo a pioneira na pesquisa sobre radioatividade, seja matando o desejo dos netos e netas de comer o melhor pão caseiro do mundo. E para mim, esse “pão da Ieiei” deveria ter ganho o prêmio Nobel também.

Meu pai e minha mãe me tiveram muito jovens, então ficava bastante tempo com meus avós para que ambos pudessem estudar. Com dificuldades para dormir, ela me balançava às vezes até cinco horas da manhã esperando eu pegar no sono. Ela não fazia isso reclamando, ela fazia com amor. E todo esse amor eu sentia e sinto sempre quando chego perto dela.

Eu não quero fazer homenagem às mulheres que admiro depois que elas se forem, eu quero fazer agora para que elas possam ler e reconhecer a força que tem. A mulher mãe, a mulher irmã, a mulher amiga, a mulher avó, a mulher prima, a mulher tia, a mulher sogra, a mulher cunhada, a mulher esposa.

O herói não seria nada sem a heroína. Só porque ela não tem uma capa? Um batmóvel? Não dispara teias de aranha? Não tem um martelo? Ah, ela tem o mais importante: amor. Amor para que os heróis estejam por todas as partes.

Nada como a nossa vovó. As melhores histórias do mundo, as mãos mais delicadas, o jeito de andar mais doce, os fios de cabelo mais macios, a pele mais suave, o abraço mais verdadeiro. A mulher que acompanhou outras mulheres conquistando tantos direitos ao longo dos anos, que pode entender o feminismo tão de perto, que antes não podia e hoje pode.

As avós que presenciaram mulheres podendo estudar em universidades em 1979; que em 1943 puderem trabalhar fora de casa sem a autorização do marido; que tiveram direito a licença-maternidade em 1934; que só em 1932 puderam votar; as que puderam se divorciar em 1977; que pôde tomar anticoncepcional em 1962 e que em 2002 não precisou mais provar que era virgem para não ter o casamento anulado pelo marido.

A todas as avós que estejam lendo este artigo, saibam do papel importante que vocês têm na vida dos netos e netas. Eu mesma não seria nada sem a minha. Obrigada, Ieiei. Te amo!

Michelle Leite de Barros é advogada em Cuiabá.



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