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Opinião
Segunda - 11 de Janeiro de 2021 às 08:23
Por: RENATO DE PAIVA

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Desde que o Presidente Bolsonaro começou a despontar como provável vencedor das eleições de 2018, tenho escrito diversos artigos, sempre manifestando minha contrariedade com suas ideias, que desde o começo me pareciam ultrapassadas.

Entretanto como a campanha logo polarizou-se entre o então filiado do PSL e o PT do condenado e depois encarcerado Lula, minha ideia exposta nos artigos era que, embora ele (o Bolsonaro) não fosse o candidato ideal, a outra escolha – o Haddad - seria muito pior.

E assim, durante muitos meses do mandato, continuava a mencionar que, a despeito dos atos governamentais de que discordava, ainda assim a aposta me parecia boa, ou seja, compensava tolerar o Bolsonaro, para ficar livre do Lula e de seu partido.

Por isso para cada ato ou declaração do Presidente eu tinha um contraponto: “ele elogiou a ditadura?” Ah, mas o PT metia a mão na grana; “detonou a urna eletrônica?” Sim, mas o PT instrumentalizou o funcionalismo público; “estimulou o uso e a compra de armas pela população?” Ok, mas o PT quase quebrou a Petrobrás.

Depois insistia em defender a ineficiência: “ele (presidente) não fez a reforma administrativa.” Sim, é verdade, mas derrotou o PT. “Não se interessou em votar a reforma emergencial.” Mas fez o mais importante, venceu o Lula; “atacou a imprensa livre”. E os petralhas não faziam isso também?

Entretanto, essas constantes desculpas foram cansando e as suspeitas de que os vícios da turma do Lula não eram maiores que as baldas dos novos ocupantes do Palácio, foram se impondo. Em outras palavras: a única virtude de peso encontrada no governo Bolsonaro, foi o fato de ele ter derrotado o Lula, o que, convenhamos, é muito pouco.

Lentamente uma indagação foi crescendo: o preço pago para tirar o Lula e sua gangue do poder, não estaria ficando caro demais?

Mas o ponto de inflexão - momento em que ficou claro que o custo para defenestrar o PT foi muito alto - surgiu com a expansão da pandemia de covid-19 no País. Aí sim, nos convencemos de que nenhum presidente, de qualquer país do mundo, noves fora Bolsonaro e Trump, teria tamanho desprezo pela vida humana e torcido tanto contra a vacinação.

Os constantes deboches desses dois, criticando as posições dos cientistas, médicos, infectologistas, pesquisadores e todo o pessoal da saúde, fizeram um mal tão grande aos países que governam, que deveriam ser responsabilizados pessoalmente pela perda das vidas humanas que causaram.

O Trump – este perigoso esquizofrênico que tem culpa em grande parte das mortes dos 360.000 americanos - está queimando seus últimos cartuchos em um ato estúpido, tentando anular a cristalina vitória de Joe Biden. Mas seus dias estão contados – dia 20 próximo o caminhão encosta para tirar a mudança do falastrão inconsequente.

Nesse aspecto, nossa sina é pior que a dos americanos, pois o Bolsonaro ainda tem muito tempo de governo, que será usado, como tem feito, para convencer o povo a não tomar a vacina. Pior, no fim do mandato, pode reproduzir a presepada do seu ídolo Trump, que tentou um ridículo golpe contra a democracia do seu País.

RENATO DE PAIVA PEREIRA é empresário e escritor.



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