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Opinião
Sexta - 15 de Janeiro de 2021 às 16:14
Por: Renato Gomes Nery

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Somos concebidos pela junção de duas vontades: o encontro de espermatozoide com um óvulo. Discute-se, com paixão, se é dado ao homem interromper os desdobramentos deste conúbio que resultará em um filho.

O certo é que o ser que irá ser concebido irá nascer, crescer, amadurecer e morrer inapelavelmente.

A única coisa certa neste mundo é morte, como dizia a minha mãe! A maioria das pessoas não aceita que somos finitos. Acha que a existência prossegue em outro plano.

E as religiões nos confortam com promessas de outra existência. Entretanto, uma pretensa outra vida é um mistério indecifrável, pois a morte é definitiva e não deixa espaço para uma explicação plausível.

E aí quando a morte ceifa um de nossos entes queridos ficamos perdidos a procura de uma resposta que as religiões dão, mas que nem sempre nos satisfaz. Tive que lidar com a morte de forma dolorosa e inquietante, quando perdi meus pais, um em seguida do outro. E confesso que estas perdas me cobram um ônus muito caro até hoje, passados duas dezenas de anos.

A morte é definitiva ela não dá e nem cobra respostas. É um fato consumado

Lidei ultimamente com um amigo que, devido uma doença incurável, perdeu a mulher. Ele se recusa a aceitar o infausto acontecimento.

Segundo ele dói a alma, dói o corpo e que as lembranças são tantas e tão boas que ele se revolta contra o Criador que seria o autor de tamanha injustiça, retirando-lhe a melhor parte de sua vida.

A solidão e o desconforto são imensos e insuportáveis. A morte é definitiva ela não dá e nem cobra respostas. É um fato consumado. Só nos resta apelar para racionalidade, se pudermos, pois é esta que nos mantém vivos.

O que fazer para os mortos: nada, a não ser enterrá-los. O que não tem solução solucionado está! Se olharmos para nós veremos que precisamos cuidar da nossa saúde, pois existem inúmeras pessoas que dependem de nós e insistem em viver. E o desafio é continuar em manter a vela acesa, pois a vida pulsa em nosso redor.

Aos que se foram - somente cumpriram a etapa final da vida - certamente que ficarão livres deste vale de lágrimas e irão encontrar a paz em outro lugar. Mais dia ou menos dia seremos nós que embarcaremos na mesma nave e a vida certamente continuará sem nós. “A vida é trem bala parceiro, e a gente só passageiros, precisa partir.....” (Ana Vilela – Trem Bala).

A minha irmã escreveu, no jazido do meu pai, uma frase que não sei quem é o autor, mas que sempre me intriga: “Não deixe que a morte impeça de amar a vida, pois tudo é mistério...”

P.S. – Entretanto, uma coisa é morrer de causas naturais ou acidentais e outra é ser vítima de uma pandemia mal gerenciada pelo negacionismo de políticos irresponsáveis. Poder-se-ia ter evitado milhões de mortos e minimizado a recidiva que promete fazer mais estragos. Que a terra seja pesada para todos estes facínoras!

Renato Gomes Nery é advogado.



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