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Opinião
Quarta - 01 de Dezembro de 2021 às 09:12

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Para início de conversa, vamos clarear, somos leigos e não economistas, o que é o “risco Brasil”. Em suma, o risco Brasil, também chamado de risco-país, é um indicador econômico que orienta investidores (em especial estrangeiros) sobre o risco de negociar no Brasil.

Esse indicador apresenta a probabilidade de mudanças no cenário econômico impactarem negativamente no valor de ativos de empresas estrangeiras no país. Especialmente empresas e investidores que pretendem negociar, empreender ou investir devem estar atentos ao risco-país.

Transferindo essa ideia para a política do dia a dia, podemos pensar que o risco-Brasil hoje é muito alto, para qualquer lado: situação ou oposição e “out-sides”, vulgo “terceira via”. Porquê?, perguntamos.

1- O engano, a ódio, a revolta, que alcança grande parte do eleitorado brasileiro, ao descobrir que, mais uma vez, comprou ”gato por lebre”, ao colocar Bolsonaro no poder. Votamos, a maioria, por medo e pavor do retorno do Lula ou de um poste; foi nos mostrado um “produto” numa embalagem que causou aceitação sem críticas, pois prometia um novo “eldorado” político, sem toma lá, dá cá; corrupção; nova maneira de fazer política enterrando a “velha”- o eterno Centrão; e outras promessas vazias, mas bem embaladas, que já tínhamos visto antes, mas, por um branco de memória, nos esquecemos.

2- O que aconteceu, de fato: o “salvador da pátria”; o “mito” ; “o enviado por Deus”, parece que ainda não desceu do palanque pra governar, tendo afirmado, duas ou três vezes, que não tinha aptidão para administrar o país. A sua perfomance na administração do país, confirma sua sinceridade; hoje, estamos no caos, qualquer que seja o aspecto do pais analisado: Saúde; Economia; Educação; política, relações externas; paz social interna; não necessitando cansar o leitor/a com exemplos; pois estão à vista de todos, seria chover no molhado, ou querer, como disse Aureliano Chaves, Vice do general Costa e Silva, “querer tapar o sol com a peneira”.

Ademais, as pesquisas que lemos, corroboram o desmoronamento da popularidade do presidente, quase, sem possibilidades políticas de estancar o tsumanni que avança.

3- O clima de ódio que se instalou no Brasil. Não vivemos meras discordâncias de opinião, de pontos de vistas políticos, o que sempre foi normal e corriqueiro no Brasil. Vivemos uma orquestrada e bem financiada campanha de ódio, de divisão do pais, não só política, mas pessoal e familiar.

Há famílias, grupos de antigos amigos e vizinhos, até frequentadores de igrejas juntos, que não mais dialogam; odeiam-se e desejam e, até se pudessem, exterminar o “inimigo” fisicamente, mas, o fazem, virtualmente, desconstruindo o caráter, a personalidade, a família e o passado do outro. Para isto, as redes sociais, as fake news, as montagens deturpadas de vídeos ou falas de fatos passados, declarações, fotos, os gabinetes do ódio de todos os lados, se encarregam de fazer; o exemplo vem de cima, não precisamos ilustrar.

“Nunca nesse país, como diz conhecido político, se viu coisa igual”. O Brasil está rachado e dificilmente se vislumbra uma reconciliação à vista, em qualquer dos aspectos citados. É tudo ou nada; oito ou oitenta.

Ou destruímos o “inimigo” – político ou pessoal, concorrente, ex-sócio ou parceiro; até ex-cônjuge ou, ex-filho ou sogro; ex-aliado; ou ele, nos engole- a eleição, ou a vida comum e profissional. É um BBB diário e de baixo nível, que tanto nos atrai e deleita; pois, é muito agradável jogar pedra ou lama no telhado do vizinho, sem ver o nosso, como disse Cristo,” sem tirar a trava dos nossos olhos”.

A presunção legal de inocência, de moral, de ética, de respeito a integridade do outro, evaporou. Agora, vige “o olho por olho, dente por dente” que, aliás, foi um grande avanço na época de Hamurabi, onde vigia a lei de Hobbes, “o homem lobo do próprio homem”; que parece, regredimos hoje no Brasil: “ todos são ladrões, cretinos, mentirosos, falsos e sem vergonha, até que provem o contrário; podendo a prova ser anulada pelo VAR político ou grupo de ódio de plantão”. Isto nos desafia: o que fazer pra reverter esse quadro dantesco?

O escritor Nassim Nicholas Taleb é um libanês que resolveu escrever sobre probabilidades e incertezas após deixar o emprego na Bolsa de Chicago, altamente rentável. Seu livro A lógica do Cisne Negro, com muito sucesso entre os executivos, trata de eventos raros e da necessidade de estar preparado para lidar com eles.

O título do livro decorre do fato de que todos os cisnes eram brancos, até a "descoberta" na Austrália de um de cor negra. A novidade do cisne negro foi uma demonstração da fragilidade do conhecimento humano.

Aplicando ao nosso calvário político atual, alguns identificam o presidente Jair Bolsonaro como um cisne negro na política brasileira, após sua aparição em 2018, como um autêntico cisne branco como a neve.

Sua eleição era altamente improvável, mas aconteceu. Agora, parece balançar. Outros, vêem na volta do ex-presidente Lula, agora um “cisne branco”, livre, leve e solto, a solução, mesmo correndo o risco de, mais uma vez, trocar seis por meia dúzia; dadas as recentes declarações do novo cisne branco, que parece mostrar, na essência, o oculto “cisne negro” conhecido.

Nós, eleitores brasileiros, em grande maioria, temos o olhar daltônico, às vezes, confundimos as cores. E isso, pode acontecer de novo. Outros, talvez com olhar mais apurado, apostam numa terceira via,um novo cisne banco ou de cor indefinida num terreno onde a diferença de cor dos cisnes, ainda está muito confusa, é coisa para os oftalmologistas de plantão, alguns de longa estrada que sabem como vender cavalo paraguaio; embora, alguns cisnes pareçam, como dizem os juízes quando querem ficar no muro, “em juízo perfunctório ou superficial”, ou, o augusto e sábio PGR, vamos “abrir uma investigação preliminar” (engavetar, sem desagradar a ninguém), são “Brancos”, até a conclusão da instrução processual; ou seja, o voto na urna, pelo eleitor/a também, muitas vezes, sem cor definida, ou dependendo do palpite na loteria: o dia do aniversário do avô; o CPF de Noé; o dia em que a sogra foi embora; a cor dos olhos do candidato ou da mulher dele, mas, o importante é fazer a quina.

A aposta pode dar em branco; mas, vamos tentar de novo. Um dia dá, somos filhos de Deus. E ele é brasileiro. O escritor Taleb destaca que eventos dessa ordem ocorrem com muito mais frequência do que imaginamos, mas não estamos preparados para percebê-los. Depois que tomamos conhecimento deles, buscamos explicações que muitas vezes são fantasiosas, míticas, porque isso é melhor do que admitir que não estamos entendendo nem vendo nada, somos cegos na política, andamos com o apoio das “muletas” que enxergam claramente, desde o Brasil Colônia, os fidalgos bem nascidos; o que não é nosso caso.

Nossas opiniões formadas pelas redes sociais nos impedem de compreender o que contrariou aquilo em que acreditávamos: “comunistas; rebeldes; inimigos de Deus,da pátria e da família”?

É como nos casamentos, não foi bem esse príncipe ou princesa que sonhamos; mas, com o carro da vida andando, talvez dá pra trocar os pneus; é melhor um pássaro na mão do que os dois voando; ou não? É onde estamos hoje na política: tentando adivinhar a cor do cisne que pousará no Palácio do Planalto em 2022; pode até dar o mesmo de hoje, “ainda dar pra restaurar a cor original”, pensamos; ou o cisne neo branco que pretende retornar; ou um novo cisne branco como a neve, ou um de cor indefinida, ambos da terceira via, como o cavalo azarão dos jóqueis.

Vai depender da saúde de nossos olhos, leitor/a: análise da cor do cisne: passado, ideias, integridade, realizações, projeto real de governo e não viagem grátis pro paraíso, pois, Deus parece cansado de tanto falso testemunho usando seu nome em vão; ou, jogar na loto...e acertar; pra não ficar repetindo a aposta pelos próximos quatro anos.

Façam suas apostas, o jogo já começou, embora fora de hora, mas a Justiça eleitoral é daltônica, ainda não desvendou a faixa que cobre seus olhos e, costuma, até, mantê-los vendados até depois do pleito.

Auremácio Carvalho é advogado.



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