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Opinião
Quarta - 14 de Setembro de 2011 às 23:34
Por: Dirceu Cardoso Gonçalves

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A instalação de rede de comunicação digitalizada e especial, radar, GPS, computadores e até dos recém lançados “tablets” nas viaturas é a nova onda em todo o país. A adoção de tecnologia faz o mesmo efeito midiático antes cumprido pela compra de viaturas, coletes e pistolas que substituíram o velho revólver 38. Isso é importante e imprescindível, mas nada surtirá efeito sem que hajam policiais saudáveis, treinados e motivados para empregar a parafernália eletrônico-digital na sua missão de combate ao crime e na proteção da sociedade. As ferramentas modernas são bem vindas, mas devem ser encaradas exclusivamente como ferramentas colocadas nas mãos de profissionais que, com elas, poderão ter melhor rendimento em suas atividades.

Infelizmente, os policiais de todo o país enfrentam a defasagem salarial. Os governos estaduais, seus patrões, não conseguiram acompanhar a evolução das necessidades da classe e, como conseqüência, a remunera insuficientemente. O policial, que faz sua jornada de trabalho combatendo o crime em viaturas que agora passam a ter os avançados recursos eletrônicos, não ganha o suficiente para ter sua condução e nem morar em segurança. Depois do trabalho, ele é obrigado a ir para casa de ônibus, exposto aos marginais que perseguiu no trabalho e nem pode revelar sua condição de policial no bairro onde mora, que pode ser até uma favela, pois se o fizer, corre o risco de ver sua família subjugada.

O “bico” tem sido a válvula de escape para muitos evitarem a má situação decorrente do valor do soldo, mas o penaliza porque é realizado na hora em que deveria estar descansando e ainda oferece riscos. Muitos policiais já morreram no “bico”, que agora as polícias começam a institucionalizar através da chamada “função delegada”, onde o profissional, depois de cumprir sua jornada no Estado ou em suas férias, vai trabalhar para prefeituras e outras instituições conveniadas.

Da mesma forma em que agem modernamente, adquirindo equipamentos e tecnologias para as policiais, os governos deveriam fazer uma ampla revisão no quadro salarial de seus policiais – civis e militares – para trazê-lo à realidade e reconhecer as carências atuais da classe. A sociedade evoluiu e, com ela, também evoluíram o crime e os meios de combatê-lo. Há que se reconhecer a especificidade da profissão, que gera necessidades próprias. O policial precisa trabalhar concentrado em sua tarefa, descansado física e emocionalmente saudável para, no momento exato, tomar as decisões inerentes à sua missão. O momento de atirar ou não atirar, é a principal delas, que interessa a toda a sociedade. Esse homem ou mulher, que dá sua saúde e até a própria vida à Segurança Pública, necessita de proteção. O bom salário é a principal das proteções, como provam a Polícia Militar do Distrito Federal, Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal que hoje pagam bem seus profissionais e evoluem a olhos vistos.

Srs. Governadores, acordem para essa realidade, acabem com as greves e descontentamento dos policiais e dêem à população uma polícia à altura das necessidades. Profissionais e tecnologia já existem. Falta resolver a equação salarial...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

aspomilpm@terra.com.br



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